Projeto no Cantão revela saberes tradicionais e fortalece comunidades do Cerrado no Tocantins

A produção de conhecimento sobre o Cerrado e a valorização de comunidades tradicionais no Tocantins ganham força com o avanço do projeto de agrobiodiversidade no Parque Estadual do Cantão (PEC), que entra na fase final.
O Governo do Tocantins financia a iniciativa por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), em parceria com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). Além disso, a Universidade Luterana do Brasil executa o projeto com apoio direto das comunidades locais.
Comunidade participa ativamente do projeto
O projeto adota uma abordagem participativa e envolve diretamente os chamados torrãozeiros, além de outros atores ligados ao uso dos recursos naturais da região.
Dessa forma, a iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a conservação da agrobiodiversidade. Ao mesmo tempo, valoriza as experiências e saberes das comunidades tradicionais.
Segundo a coordenadora Conceição Aparecida Previero, o trabalho fortalece a identidade dos moradores locais.
“A iniciativa promove um resgate da memória e reforça a conexão das pessoas com sua herança ancestral”, destacou.
Pesquisas ganham destaque nacional
Além das ações no campo, o projeto também ganhou visibilidade no meio científico. Em outubro de 2025, três pesquisas desenvolvidas por alunos da Ulbra Palmas foram selecionadas para o Congresso Nacional de Meio Ambiente, realizado em Poços de Caldas (MG).
Entre os temas apresentados, destacam-se a gestão de resíduos, a valorização da memória dos torrãozeiros e a produção de mudas nativas.
Assim, o projeto amplia seu alcance e fortalece a divulgação científica sobre o Cerrado tocantinense.
Trajetória dedicada à preservação do Cerrado
A atuação da professora Conceição Previero reforça uma trajetória de quase 30 anos dedicada à pesquisa no Cerrado.
Ao longo desse período, ela desenvolveu estudos voltados à conservação ambiental, à agricultura familiar e à valorização de saberes tradicionais.
Além disso, um dos destaques do trabalho é o resgate de sementes crioulas, que fortalece a biodiversidade e mantém práticas tradicionais vivas.
Investimento fortalece pesquisas ambientais
O edital que financia o projeto conta com recursos de R$ 1,3 milhão. O valor integra o Termo de Convênio nº 001/2022, firmado entre Naturatins e Fapt.
Com isso, o programa financia até 12 propostas de pesquisa, com investimento de até R$ 100 mil por projeto.
Portanto, a iniciativa amplia o incentivo à produção científica voltada à preservação ambiental no estado.
Torrãozeiros preservam tradição e natureza
A comunidade torrãozeira ocupa o Parque Estadual do Cantão desde antes da criação da unidade, em 1998.
Esses grupos vivem em pequenas áreas chamadas “torrões” e mantêm práticas sustentáveis baseadas no respeito ao meio ambiente.
Além disso, os moradores atuam como parceiros na conservação do parque. Dessa forma, contribuem diretamente para a proteção de um dos ecossistemas mais ricos da região.
