Câmara debate doenças raras e projeto que pode garantir tratamento por lei no Brasil

A Câmara dos Deputados realiza nesta quarta-feira (18), às 17h, em Brasília, uma audiência pública para discutir o tratamento de doenças raras no país. Além disso, o encontro coloca em pauta o Projeto de Lei 4.997/2024, que pode transformar em lei diretrizes hoje previstas apenas em portaria.
Atualmente, cerca de 13 milhões de brasileiros convivem com doenças raras. Ou seja, trata-se de um tema de grande impacto social e que exige atenção urgente do poder público.
Projeto quer transformar portaria em lei
A proposta é de autoria da deputada Rosana Valle e prevê a transformação da Portaria nº 199, de 2014, do Ministério da Saúde em legislação.
Na prática, isso garante mais segurança jurídica para pacientes, familiares e cuidadores. Isso porque portarias podem ser revogadas, enquanto leis têm caráter permanente.
“Não podemos correr o risco de perder esse direito. Lei tem que ser cumprida”, afirmou a parlamentar.
O que são doenças raras
No Brasil, uma doença é considerada rara quando afeta até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes. Ainda assim, o número total de casos é expressivo.
Estima-se que existam mais de 5 mil tipos diferentes. Entre elas, estão:
Distrofia Muscular de Duchenne, que afeta músculos e coração
Fibrose Cística, que compromete pulmões e sistema digestivo
Esclerose Lateral Amiotrófica, conhecida como ELA
Além disso, as causas podem envolver fatores genéticos, ambientais, infecciosos e imunológicos.
Debate traz recorte feminino
A audiência também vai abordar o impacto das doenças raras sob a perspectiva feminina. Isso porque, além de representarem parte significativa dos pacientes, as mulheres são maioria entre cuidadoras.
Segundo Rosana Valle, muitas enfrentam jornadas duplas ou até triplas. Inclusive, o cenário de mães solos agrava ainda mais a situação, principalmente quando há filhos ou familiares dependentes de cuidados contínuos.
Quem participa da audiência
A discussão foi solicitada pelos deputados Carla Dickson e Giovani Cherini.
Além disso, participam:
Eliane Munhoz Zamperli
Patrícia Delai, especialista em doenças raras
Maíra Botelho, integrante da equipe fundadora do Sistema Único de Saúde
Próximos passos do projeto
O PL 4.997/2024 está apensado a outra proposta semelhante. Agora, o texto ainda precisa passar por comissões importantes da Câmara.
Em seguida, se aprovado, segue para votação no Senado. Somente depois, pode virar lei e garantir, de forma definitiva, o acesso a tratamento adequado no país.
Por que isso importa
No fim das contas, a discussão vai além da burocracia. Trata-se, principalmente, de garantir dignidade, continuidade no tratamento e suporte para milhões de brasileiros.
Portanto, se o projeto avançar, pode representar um divisor de águas na política de saúde pública voltada às doenças raras.
