Você já pensou no que acontece com suas redes sociais após a morte? Entenda
Perfis em redes sociais e arquivos armazenados na internet podem continuar ativos mesmo após a morte de uma pessoa. No entanto, nem sempre fica claro quem pode decidir o destino dessas informações. Esse conjunto de bens e direitos recebe o nome de herança digital.
Segundo o advogado Enrique Tello Hadad, especialista em proteção de dados, os conteúdos online passam a integrar o patrimônio da pessoa após o falecimento. Assim, entram na sucessão, como ocorre com outros bens.
O que é herança digital
A herança digital inclui contas em redes sociais, arquivos guardados na nuvem, domínios, e-mails e conteúdos armazenados em plataformas online.
Serviços de nuvem, por exemplo, guardam fotos, vídeos e documentos em plataformas como Google Drive, Dropbox e Microsoft OneDrive. Além disso, empresas utilizam essa estrutura para hospedar sistemas na internet.
Apesar disso, o Brasil ainda não possui uma lei específica sobre herança digital. Portanto, na ausência de norma própria, a Justiça aplica regras gerais do Código Civil e da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Inclusive, já tramitam no Congresso propostas como o PL 4.066/2025, que prevê a criação da figura do inventariante digital e estabelece regras claras para acesso a dados.
Planejamento pode evitar conflitos
Atualmente, já existem testamentos que indicam responsáveis pela gestão da vida digital após a morte. Nesses casos, o titular pode determinar a exclusão de contas ou a manutenção de conteúdos como legado.
Além disso, algumas empresas oferecem ferramentas específicas para planejamento.
O Google, por exemplo, disponibiliza a função “Seu legado digital”. O recurso permite indicar até dez pessoas para acessar dados após determinado período de inatividade ou solicitar a exclusão da conta.
O que cada rede social permite
Cada plataforma adota regras próprias para lidar com contas de usuários falecidos. Em geral, familiares podem solicitar a exclusão do perfil ou transformá-lo em memorial.
O Instagram permite transformar o perfil em “em memória”. Nesse caso, a conta permanece visível, mas deixa de aparecer em recomendações. Para isso, a plataforma exige envio de formulário e certidão de óbito.
Já a exclusão definitiva exige comprovação de parentesco. A empresa informa que ninguém recebe login ou senha da conta.
O processo é semelhante. A Meta, controladora da rede, permite solicitar a transformação em memorial ou a remoção do perfil mediante apresentação de comprovante de óbito.
X
No X, familiares podem pedir a desativação da conta por meio de formulário. Após o envio de documentos, a plataforma analisa o pedido antes de excluir o perfil.
TikTok
O TikTok orienta familiares a acessar a Central de Ajuda e escolher entre transformar a conta em memorial ou deletá-la. A empresa exige o preenchimento de formulário e comprovação do falecimento.
Serviços do Google
Além do Gmail, a Conta do Google pode envolver YouTube, Google Fotos, Drive e outros serviços. Dependendo das permissões configuradas em vida, a pessoa indicada pode baixar dados ou solicitar exclusão.
O WhatsApp não possui formulário específico para comunicar falecimento. Entretanto, a empresa informa que contas são apagadas automaticamente após 120 dias de inatividade.
Falta de responsável mantém dados ativos
Na prática, quando ninguém assume a responsabilidade pelas informações digitais, os perfis tendem a continuar disponíveis na internet. Por isso, especialistas recomendam planejamento prévio.
Além de evitar conflitos familiares, essa organização facilita o cumprimento da vontade do titular e reduz incertezas jurídicas.
