Fim do New START eleva tensões globais; Rússia lamenta, EUA sinalizam negociações e ONU alerta para “momento grave”
Vencimento do tratado nuclear entre EUA e Rússia gera reações internacionais e apreensão sobre possível corrida armamentista.
O término do tratado New START entre Estados Unidos e Rússia, ocorrido nesta quinta-feira (5), provocou reações imediatas de atores internacionais e reacendeu preocupações sobre a estabilidade da ordem nuclear global.
Importância do tratado
Assinado em 2010 e em vigor desde 2011, o New START limitava o número de ogivas nucleares estratégicas e de sistemas de entrega mantidos prontos por Moscou e Washington, estabelecendo inspeções e mecanismos de transparência considerados fundamentais para reduzir o risco de escalada estratégica. Em 2021, o acordo foi prorrogado por cinco anos.
Reações internacionais
Rússia
O Kremlin lamentou o fim do tratado. Autoridades russas adotaram tom crítico, enquanto o vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitri Medvedev, disse que “o inverno está chegando”, frase interpretada como provocação. O governo russo declarou-se preparado para um “novo mundo” sem limites para armas nucleares.
Estados Unidos
Autoridades norte-americanas indicaram que há movimentações nos bastidores para retomar negociações. Uma fonte da Casa Branca afirmou que “haverá notícias” e sugeriu que um novo acordo poderia incluir a China. O Departamento de Estado, que considera o New START importante para monitorar o programa nuclear russo, não divulgou comunicado formal sobre o término do tratado até a última atualização desta reportagem. O secretário de Estado Marco Rubio defendeu que qualquer novo pacto também contemple a China, citando o crescimento do arsenal chinês.
União Europeia
A UE pediu moderação de todas as partes e sublinhou a necessidade de esforços diplomáticos para evitar escalada.
China
Pequim afirmou lamentar o vencimento do acordo e expressou preocupação com possíveis impactos negativos na ordem nuclear global. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, pediu aos EUA que respondam de forma ativa e retomem o diálogo com a Rússia.
ONU
O secretário-geral António Guterres classificou o fim do New START como um “grave momento” para a paz e a segurança internacional, ressaltando que, pela primeira vez em mais de meio século, não há limites vinculantes aos arsenais estratégicos de ambas as potências.
Papa Leão XIV
O papa solicitou a renovação do acordo e apelou para que se evite uma nova corrida armamentista, destacando a responsabilidade de EUA e Rússia na segurança global.
Contexto técnico
O New START impunha limites a 1.550 ogivas nucleares estratégicas e a 700 lançadores (mísseis e bombardeiros de longo alcance) por país, além de prever mecanismos de verificação e inspeção recíproca que aumentavam a previsibilidade entre as partes.
Consequências e próximos passos
Analistas avaliam que a ausência do tratado aumenta o risco de diminuição da transparência e de maior incerteza estratégica entre as potências nucleares. Autoridades americanas e russas sinalizam abertura para retomada de negociações, ainda que questões sobre a inclusão de outros atores — especialmente a China — e garantias de verificação possam complicar qualquer novo acordo.
A situação permanece volátil; diplomatas e líderes globais acompanham desdobramentos que podem influenciar o equilíbrio de dissuasão e a arquitetura de controle de armamentos nas próximas semanas e meses.
