Laura Fernández vence no primeiro turno e se torna presidente da Costa Rica com promessa de linha dura contra o narcotráfico
A eleição presidencial realizada neste domingo (1º) terminou com a vitória de uma candidata alinhada à direita, que chegou ao comando do país defendendo medidas duras contra o narcotráfico e a criminalidade. O resultado confirma uma mudança no cenário político nacional, em meio ao avanço da violência ligada ao tráfico de drogas.
Com quase toda a apuração concluída pelo tribunal eleitoral, a vencedora alcançou 48,3% dos votos válidos, percentual suficiente para encerrar a disputa ainda no primeiro turno. O principal adversário, de perfil social-democrata, obteve pouco mais de um terço dos votos.
A campanha foi fortemente marcada pelo tema da segurança pública, apontado como a principal preocupação da população. A proposta central é ampliar o combate às organizações criminosas, que transformaram o país, historicamente considerado um dos mais seguros da região, em rota estratégica para o tráfico internacional.

Críticos afirmam que o projeto político apresentado se inspira em modelos adotados em outros países da América Central, com endurecimento penal e ampliação do poder do Executivo. A leitura da oposição é de que essas mudanças podem abrir espaço para concentração de poder e enfraquecimento institucional.
Durante o discurso da vitória, a presidente eleita evitou tratar diretamente da violência e afirmou que não permitirá práticas autoritárias. Disse ser defensora da democracia e da liberdade, mas fez duras críticas à imprensa e indicou que pretende alterar regras do sistema político, sem detalhar quais mudanças serão implementadas.
A comemoração tomou conta das ruas logo após a divulgação dos primeiros números oficiais. Militantes organizaram carreatas, atos públicos e festas em várias cidades, especialmente na capital, com bandeiras e manifestações de apoio à nova gestão.
Além da eleição presidencial, os eleitores também escolheram os novos integrantes do Parlamento. As projeções indicam que a base governista deve conquistar maioria simples, suficiente para governar com mais tranquilidade, mas sem força para alterar a Constituição.
A nova presidente toma posse em 8 de maio, para um mandato de quatro anos. Entre as promessas estão a conclusão de uma grande penitenciária voltada ao crime organizado, o aumento das penas e a adoção de estados de exceção em áreas dominadas por facções.
Atualmente, cerca de 70% dos homicídios registrados no país têm relação direta com o narcotráfico. Nos últimos anos, a taxa de assassinatos atingiu níveis recordes, refletindo o avanço das organizações criminosas e a fragilidade do sistema de segurança.
O resultado da eleição também reacendeu alertas sobre o futuro democrático do país. Ex-chefes de Estado e lideranças políticas afirmaram que vitórias expressivas nas urnas não autorizam o enfraquecimento das instituições nem o silenciamento de vozes contrárias.
Apesar de avanços recentes na redução da pobreza, o país segue entre os mais desiguais da América Latina e figura entre os de maior custo de vida na região, fatores que devem pressionar o novo governo desde o início do mandato.
