Premiê da Groenlândia diz que soberania é “linha vermelha” em diálogo com os EUA
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta quinta-feira (22) que existem limites inegociáveis para o território autônomo ao discutir um possível acordo com os Estados Unidos. Segundo ele, soberania, integridade territorial e respeito à lei internacional são “linhas vermelhas” que não podem ser ultrapassadas.
“São linhas vermelhas que não queremos ultrapassar”, declarou o premiê durante coletiva de imprensa.
Nielsen disse não ter conhecimento sobre detalhes de qualquer esboço de acordo que teria sido discutido na véspera entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Para ele, a conversa pode ter tratado de objetivos comuns entre aliados, mas os termos ainda precisam ser negociados formalmente.

“Não sei o que há de concreto sobre esse acordo com os EUA”, afirmou.
O primeiro-ministro também ressaltou que nenhum entendimento pode ser fechado sem a participação direta dos representantes da Groenlândia e da Dinamarca, em uma crítica indireta ao anúncio feito anteriormente. Ele repetiu mais de uma vez que desconhece os termos do suposto acordo e disse não saber se houve discussões sobre minérios estratégicos ou a instalação de bases militares no território.
“Desejo de controlar nossa ilha ainda parecia existir até ontem, mas diálogo respeitoso é algo que buscamos desde o começo e agora parece que outras partes também querem isso”, pontuou.
Nielsen afirmou que está disposto a ampliar a atuação da Otan no Ártico e até permitir missões especiais da aliança militar, mas evitou comentar se aceitaria o mesmo tipo de presença por parte dos Estados Unidos. Ele citou ainda o interesse em discutir projetos como o escudo antimísseis “Domo de Ouro”, defendido por Trump, desde que o tema seja tratado pelos “canais certos” e de maneira respeitosa.
“Quero discutir o Domo de Ouro e planos semelhantes respeitosamente, mas pelos canais certos e de maneira respeitosa”, disse. “Segurança no Ártico é algo em que todos concordam.”
Ao final, o líder groenlandês destacou que a defesa da soberania do território está ligada à manutenção da ordem internacional e à resolução de conflitos pela via diplomática.
“Estamos esperançosos e queremos manter boa relação com os EUA, mas é difícil com ameaças todos os dias”, concluiu.
