Judiciário do Irã anuncia julgamentos rápidos enquanto cresce temor de execuções de manifestantes
O Judiciário do Irã anunciou nesta quarta-feira (14) que irá realizar julgamentos “rápidos” contra manifestantes detidos durante os protestos que abalam o país, em um momento em que organizações de direitos humanos alertam para o risco de aplicação em massa da pena de morte.
As manifestações tiveram início como protestos contra o aumento do custo de vida, mas evoluíram para um movimento de contestação direta ao regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, liderado pelo aiatolá Ali Khamenei desde 1989.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington agirá “com muita firmeza” caso as autoridades iranianas comecem a executar presos políticos. Em resposta, Teerã acusou os Estados Unidos de buscarem um pretexto para justificar uma intervenção militar e uma possível mudança de regime.

A Anistia Internacional e o Departamento de Estado dos EUA afirmaram ter informações sobre aquela que pode ser a primeira execução de um manifestante desde o início da crise. Segundo o governo americano, mais de 10.600 manifestantes foram presos, entre eles Erfan Soltani, de 26 anos, cuja execução estaria marcada para esta quarta-feira.
A Anistia Internacional pediu que o Irã suspenda imediatamente todas as execuções, incluindo a de Soltani.
O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, passou cerca de cinco horas nesta quarta-feira em uma prisão de Teerã, onde estão detidos manifestantes classificados pelas autoridades como “rebeldes”. Após a visita, ele prometeu julgamentos “rápidos e públicos”.
“Se alguém ateou fogo em uma pessoa ou cometeu crimes brutais, devemos agir rapidamente”, declarou, segundo a mídia estatal.
Trump, cujas intenções em relação ao Irã seguem indefinidas, voltou a ameaçar uma intervenção militar e incentivou a continuidade dos protestos. “Patriotas iranianos, continuem protestando e assumam o controle de suas instituições”, escreveu em sua rede Truth Social.
Os Estados Unidos já realizaram ataques a instalações nucleares iranianas em junho, durante a guerra de 12 dias entre Israel e a República Islâmica.
Ao menos 700 mortos
A repressão deixou pelo menos 734 mortos, segundo a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, que alerta que o número real pode chegar a vários milhares. O acesso à internet permanece bloqueado pelo sétimo dia consecutivo, de acordo com a organização NetBlocks, dificultando a circulação de informações.
A Human Rights Watch afirmou ter informações confiáveis de que forças de segurança realizam massacres em larga escala. Imagens verificadas mostram dezenas de corpos em um necrotério no sul de Teerã.
Enquanto isso, a mídia estatal iraniana transmite homenagens a integrantes das forças de segurança mortos e imagens de manifestações pró-regime. Nesta quarta-feira, a televisão oficial exibiu atos em Teerã em memória de mais de 100 agentes mortos durante os confrontos.
No cenário internacional, as condenações aumentam. A Organização das Nações Unidas declarou-se “horrorizada”, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou como “apavorante” o número de mortos, afirmando avaliar novas sanções contra Teerã.
Trump também anunciou sanções a parceiros comerciais do Irã, com tarifas de até 25%.
Já Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979 e figura da oposição iraniana no exílio, pediu que o Exército se una à população. Analistas, porém, avaliam que ainda é cedo para prever a queda do regime e destacam o forte aparato repressivo da República Islâmica, especialmente a Guarda Revolucionária.
