Rochas esculpidas por 180 milhões de anos formam ‘floresta de pedras’ em Ponta Grossa PR
Rochas esculpidas pela ação da natureza ao longo de cerca de 180 milhões de anos formam no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa (Campos Gerais do Paraná), um conjunto que remete a uma verdadeira “floresta de pedras”. Os blocos de arenito, sedimentos consolidados que podem ultrapassar 30 metros de altura — o equivalente a um prédio de 11 andares —, são o principal atrativo da unidade de conservação.
O parque, localizado às margens da BR‑376, a aproximadamente 100 km de Curitiba, recebe em média 70 mil visitantes por ano, vindos de outras cidades, estados e até do exterior. Além dos arenitos, os visitantes podem explorar furnas — poços verticais que chegam a 100 metros de profundidade e se conectam por águas subterrâneas a uma grande lagoa — e praticar atividades de ecoturismo e aventura, como arvorismo, tirolesa, cicloturismo, passeios de balão e observação astronômica. O acesso é controlado mediante ingresso.

Com mais de 3,8 mil hectares — área equivalente a mais de 5,3 mil campos de futebol —, a unidade abriga rica diversidade de fauna e flora, incluindo espécies sob ameaça, como o puma (Puma concolor), o lobo‑guará (Chrysocyon brachyurus) e a águia‑cinzenta (Urubitinga coronata). A proximidade do maior entroncamento rodoferroviário do estado e a gestão compartilhada entre órgãos estaduais fortalecem o papel do parque como indutor de fluxo turístico para Ponta Grossa e região.
“O Vila Velha é um importante ponto turístico e grande indutor de fluxo para Ponta Grossa e a região dos Campos Gerais. Tem colhido bons frutos, sobretudo nas taxas de visitantes, e ficou entre os 10% de atrativos mais bem avaliados da plataforma TripAdvisor neste ano”, afirma Irapuan Cortes, diretor‑presidente do Viaje Paraná, órgão estadual de promoção turística. Para Cortes, a diversidade de experiências oferecidas pelo parque é diferencial na composição de roteiros pelo Paraná.

Formação geológica e história
Segundo o geógrafo Átila Cristian Santana, os arenitos de Vila Velha remontam a um passado muito remoto: há cerca de 300 milhões de anos a região era ocupada por um mar interior, quando o território ainda fazia parte do supercontinente Gondwana — que integrava as massas continentais hoje conhecidas como América do Sul, África, Antártida, Oceania e Índia. Movimentos tectônicos e eventos magmáticos elevaram e transformaram a paisagem; sucessivas glaciações e o degelo subsequente arrastaram sedimentos e fragmentos rochosos, dando origem às formações de arenito atuais.

Embora a estrutura dessas rochas seja extremamente antiga, os formatos que vemos hoje foram moldados em escalas de tempo geológicas mais recentes, por processos de erosão que atuaram sobre o que os especialistas chamam de “morro‑testemunho”: blocos resistentes que permanecem enquanto terrenos adjacentes foram progressivamente erodidos. “Cada arenito tem uma história singular — desde a origem dos sedimentos até os ambientes por onde foram transportados”, explica Santana.
Conservação e visitação
O Parque Estadual de Vila Velha é administrado com regras de visitação e conservação ambiental, visando conciliar preservação dos recursos naturais e experiências turísticas. A gestão busca manter a integridade das formações e dos habitats de espécies ameaçadas, além de promover educação ambiental para os visitantes.

Informações sobre horários, trilhas, modalidades de visita e aquisição de ingressos podem ser obtidas junto à administração do parque e aos canais oficiais de turismo do Estado do Paraná.
