UE propõe taxação de carbono e revisão das metas climáticas para debate na COP30
A União Europeia (UE) pretende transformar a COP30, que será realizada no Brasil em novembro, em um marco para incentivar sistemas globais de taxação de emissões de carbono e corrigir disparidades entre as metas de redução de CO2 adotadas por diferentes países. A declaração foi feita nesta terça-feira (21) pelo comissário europeu de Ação Climática, Wopke Hoekstra, antes de uma reunião de ministros do Meio Ambiente dos países do bloco.
“Vamos nos assegurar de incentivar o mundo a fazer mais em matéria de precificação de carbono”, afirmou Hoekstra, defendendo que o sistema europeu sirva de modelo. A UE foi pioneira no tema e há duas décadas opera o Sistema de Comércio de Emissões (ETS), que obriga cerca de 11 mil indústrias a comprar direitos de emissão de CO2 — com o preço atualmente em torno de 78 euros por tonelada. O bloco também prepara a expansão do sistema para setores como construção civil e transporte rodoviário.
Hoekstra estabeleceu três prioridades para a COP30: a ampliação da precificação de carbono, o fortalecimento das metas nacionais de descarbonização e o fechamento das lacunas em resiliência e adaptação climática. Ele criticou os planos climáticos de grandes emissores como Estados Unidos e China, afirmando que as contribuições apresentadas “ficam muito abaixo do necessário”.

No 10º aniversário do Acordo de Paris, os países deverão atualizar suas metas climáticas. A própria União Europeia ainda não entregou seu plano atualizado à ONU, mas apresentou uma declaração de intenções que prevê corte de 66,25% a 72,5% nas emissões até 2035 — ampliando a meta atual de 55% até 2030 e alinhando-se à proposta de redução de 90% até 2040.
As novas metas ainda precisam ser debatidas pelos líderes europeus em uma cúpula em Bruxelas e pelos ministros do Meio Ambiente em 4 de novembro, durante um conselho extraordinário convocado uma semana antes da COP.
Hoekstra destacou que a descarbonização não é apenas uma necessidade ambiental, mas também estratégica: “É essencial para nossa competitividade e independência. As três coisas andam de mãos dadas. E devemos garantir que nenhuma avance à custa das outras”.
