O fim do Ozempic de R$ 1.299? A contagem regressiva para 2026 começou
A data marcada no calendário da indústria farmacêutica é 20 de março de 2026. Nesse dia, expira a patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — os medicamentos da Novo Nordisk que revolucionaram o tratamento de diabetes e obesidade no mundo. O vencimento da exclusividade abre caminho para que outros laboratórios produzam versões genéricas e similares, o que pode derrubar o preço de um dos remédios mais caros e disputados das farmácias brasileiras. Hoje, uma caneta de Ozempic custa entre R$ 999 e R$ 1.299, dependendo da dose e da rede de distribuição.
A farmacêutica dinamarquesa, no entanto, trava uma batalha judicial para tentar estender a validade da patente. A empresa alega que o processo de concessão levou 13 anos para ser concluído, mesmo tendo sido solicitado em 2006 e aprovado apenas em 2019. Na visão da companhia, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) teria demorado além do razoável, e essa lentidão deveria justificar uma prorrogação do prazo. A disputa judicial já teve decisão desfavorável no Tribunal Regional Federal da 1ª Região e agora aguarda análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Enquanto isso, cresce a expectativa entre consumidores, médicos e farmácias para o impacto que o fim da patente pode gerar. Especialistas apontam que, com a entrada de genéricos, o preço do medicamento pode cair até 70% em relação ao valor atual, como já aconteceu em outros casos de fármacos populares no país. Essa mudança tem potencial para ampliar o acesso ao tratamento de milhões de brasileiros com diabetes tipo 2 e obesidade.

A disputa jurídica e os argumentos do Inpi
De um lado, a Novo Nordisk afirma que a demora na concessão cria insegurança jurídica e prejudica a inovação no país. “O legislador nunca imaginou que o Inpi demoraria 10 ou 15 anos para conceder uma patente”, argumentam os advogados da empresa. Do outro, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial sustenta que o prazo de 20 anos, contado desde a data do depósito, é o que garante livre concorrência e segurança jurídica, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal em 2021.
O Inpi explica que, até alguns anos atrás, a análise de patentes levava quase uma década, mas que esse cenário mudou. O instituto afirma ter reduzido o tempo médio de decisão de 7,9 anos em 2015 para 2,9 anos em 2025, graças à digitalização de processos, uso de inteligência artificial e contratação de novos examinadores. Para o órgão, essa modernização eliminou a necessidade de prorrogações automáticas e trouxe mais previsibilidade para o mercado farmacêutico.
Caso o STJ mantenha o entendimento atual, a patente da semaglutida realmente deixará de ter validade em março de 2026, abrindo oficialmente a janela para a produção de genéricos no Brasil. A expectativa é que empresas nacionais e internacionais iniciem os pedidos de registro na Anvisa ainda no primeiro semestre de 2026, assim que o período de exclusividade se encerrar.
Um novo mercado à vista
Enquanto a disputa judicial segue em curso, a Novo Nordisk aposta em outro caminho: o fortalecimento de sua presença industrial no Brasil. A companhia anunciou investimentos bilionários para ampliar sua fábrica em Montes Claros (MG), considerada estratégica para o abastecimento de toda a América Latina. Segundo Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos da empresa, trata-se do maior investimento já feito no complexo industrial de saúde do país por uma única empresa.
O objetivo é transformar o Brasil em um polo produtor e exportador de medicamentos inovadores. Fundada em 1923 e presente em mais de 170 países, a Novo Nordisk emprega atualmente 76 mil pessoas no mundo, sendo cerca de 2 mil delas em território brasileiro. A empresa afirma que continuará a investir em pesquisa e inovação, mesmo com o risco de perder a exclusividade sobre o Ozempic e o Wegovy.
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Para o consumidor, o cenário representa uma virada de página. O fim da patente pode marcar o início de uma nova era de acessibilidade no tratamento da obesidade e do diabetes, reduzindo custos e ampliando o alcance de medicamentos que até agora eram privilégio de poucos. A contagem regressiva para março de 2026 já começou e promete transformar o mercado farmacêutico brasileiro.
