Manifestações pró-Palestina se intensificam na Europa após detenção de flotilha humanitária por Israel
Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas neste sábado (4) em diversas cidades da Europa para exigir o fim imediato do conflito na Faixa de Gaza e a libertação dos ativistas da flotilha humanitária Global Sumud, interceptada por Israel enquanto transportava ajuda ao território palestino.
Os protestos reuniram multidões em Roma, Barcelona, Paris, Madri, Dublin, Londres e outras capitais, em uma das maiores mobilizações internacionais desde o início da ofensiva israelense em Gaza, há dois anos.
Em Roma, manifestantes marcharam pelo quarto dia consecutivo, empunhando faixas com frases como “Todos somos palestinos”, “Palestina livre” e “Parem o genocídio”. Os organizadores falaram em 1 milhão de pessoas, mas a polícia italiana estimou cerca de 250 mil participantes. A primeira-ministra Giorgia Meloni criticou atos de vandalismo durante a manifestação, após uma estátua de João Paulo II ter sido danificada. “Dizem se manifestar pela paz, mas insultam a memória de um verdadeiro defensor dela”, afirmou.

Em Barcelona, cerca de 70 mil pessoas participaram de uma marcha pacífica. O professor Jordi Bas destacou o simbolismo dos protestos: “É a única coisa que pode dar à população palestina um pouco de ânimo — ver que o mundo inteiro se mobiliza em solidariedade”.
Em Madri, as autoridades estimaram 92 mil manifestantes. O estudante Marcos Pagadizabal, de 19 anos, disse: “Somos nós, aqueles cujas vidas não correm risco, que temos que lutar por aqueles que estão realmente sofrendo”. O chanceler espanhol José Manuel Albares confirmou que 50 espanhóis estão entre os detidos em Israel.
Na Irlanda, milhares se reuniram em Dublin, pedindo sanções contra Israel e a inclusão dos palestinos em qualquer plano de cessar-fogo. “Qualquer proposta sem a participação da população afetada deve ser questionada”, afirmou o médico John-Paul Murphy, de 37 anos.
Em Londres, os protestos foram marcados por tensão. A polícia registrou 355 prisões durante uma concentração em apoio ao grupo proibido Ação Palestina. O primeiro-ministro Keir Starmer havia pedido o cancelamento dos atos após um ataque a uma sinagoga na quinta-feira (2).
Especialistas afirmam que os protestos refletem o crescimento da pressão popular sobre governos europeus para que adotem uma postura mais firme em defesa da paz e dos direitos humanos no Oriente Médio.
