“Quero justiça para minha filha”: menina de 14 anos morre após fazer lipo e colocar silicone
Uma tragédia envolvendo uma adolescente de 14 anos tem causado comoção e revolta no México. Paloma Nicole Arellano Escobedo morreu dias após passar por uma série de cirurgias plásticas supostamente sem o consentimento do pai. O caso está sendo investigado pela Promotoria de Durango, que apura as circunstâncias da morte e possíveis responsabilidades criminais.
Segundo o pai, Carlos Arellano, Paloma foi submetida a implante de silicone nos seios, lipoaspiração e lifting de glúteos na Clínica Santa María de Durango. Ela sofreu complicações pós-operatórias graves, que culminaram em parada cardiorrespiratória, coma induzido e morte cerebral.

Carlos afirma que nunca foi consultado sobre os procedimentos e que só descobriu que a filha havia feito as cirurgias durante o velório. Inicialmente, a mãe da adolescente, Paloma Escobedo Quiñónez, justificou o desaparecimento da filha ao dizer que ela estava com Covid-19 e isolada em uma área rural, onde o sinal de celular era ruim.
No dia 15, a mãe informou que Paloma estava internada em estado grave. Apesar de uma leve melhora no dia 19, a adolescente não resistiu. O pai relatou ao Canal 12 de Durango que, ainda na clínica, percebeu que a filha usava um sutiã cirúrgico. Sem entender o motivo, ele apenas tomou nota da situação. O atestado de óbito foi emitido imediatamente, com a causa registrada como edema cerebral decorrente de doença respiratória.
As suspeitas aumentaram quando familiares notaram mudanças no corpo da menina durante o velório. Carlos então pediu para ficar sozinho com a filha, junto com outras mulheres da família. Nesse momento, identificaram implantes nos seios e cicatrizes compatíveis com cirurgias plásticas, fotografaram os sinais e solicitaram uma autópsia.
A mãe da adolescente teria presenteado a filha com os procedimentos em comemoração antecipada aos 15 anos. Carlos denuncia ainda que a ex-companheira atuou como enfermeira durante as cirurgias, mesmo sem registro profissional, o que pode configurar crime segundo as leis mexicanas. A pena por se passar por profissional de saúde pode chegar a seis anos de prisão, enquanto as acusações por negligência e abuso de menor podem gerar até 12 anos de reclusão.
Outro elemento grave é a relação pessoal entre a mãe da adolescente e o cirurgião responsável pelas operações, Víctor Manuel Rosales Galindo, que também está sob investigação. A Associação Mexicana de Cirurgia Plástica (AMCPER) já solicitou a suspensão provisória do médico.
Carlos Arellano busca justiça não apenas contra o médico e a mãe da adolescente, mas também contra a clínica e funcionários que, segundo ele, teriam contribuído para encobrir a verdadeira causa da morte.
O caso ganhou repercussão nacional, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou que a Secretaria de Governo acompanhará o processo e ofereceu apoio à família da vítima.
Carlos segue firme em sua luta:
“Quero justiça para a minha menina. Não quero que as coisas sejam deixadas assim. Quero que a verdade seja conhecida e que todos os responsáveis sejam punidos”, declarou ao jornal El Heraldo de México.
