Aquele drink baratinho pode te custar a vida; entenda o alerta do metanol
O consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol voltou a causar preocupação nacional após mortes confirmadas em São Paulo. O Procon de Santa Catarina emitiu alerta à população no fim de setembro de 2025, pedindo que consumidores denunciem suspeitas de produtos falsificados no estado. Embora não haja registros locais até agora, o órgão teme que a rede de distribuição da substância esteja ativa em outras regiões do país, como destacou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
A intoxicação por metanol é grave e pode ser fatal mesmo em pequenas quantidades. Os sintomas variam de dor de cabeça, tontura e náusea a perda de visão, convulsões e parada cardiorrespiratória. Em São Paulo, cinco mortes já foram contabilizadas até o fim do mês, uma delas confirmada por exposição ao metanol. Outros quatro óbitos ainda estão sob investigação e 22 casos foram notificados, dos quais 17 permanecem como suspeitos.
Segundo o Procon-SC, o foco imediato é o recebimento de denúncias. As fiscalizações continuam dentro das operações já programadas contra produtos falsificados, que abrangem não apenas bebidas alcoólicas, mas também medicamentos, brinquedos e itens de vestuário. A orientação é clara: verificar a procedência antes do consumo, checar embalagens, rótulos e preços, além de acionar imediatamente as autoridades em caso de suspeita.

Como identificar e denunciar bebidas suspeitas
Os principais sinais de alerta para o consumidor envolvem preço muito abaixo do mercado, embalagens mal impressas e rótulos com erros de português. Outras pistas incluem ausência de lote, data de validade ou CNPJ, lacres violados, garrafas com rebarbas e alteração de cor em líquidos que deveriam ser transparentes, como vodka ou gin. Diante de qualquer irregularidade, a recomendação é não consumir e comunicar imediatamente o Procon.
Para denúncias, o órgão disponibiliza canais como o Zap Denúncia pelo número (48) 3665-9057, atendimento via telefone 151 e reclamações pelo site oficial. Em Florianópolis, o Procon-SC também oferece atendimento presencial na Rua Conselheiro Mafra, no centro da cidade. O objetivo é ampliar o monitoramento com a participação ativa da população, que pode ajudar a rastrear e conter a circulação de produtos adulterados.
O órgão estadual ainda se prepara para reforçar a fiscalização por meio de capacitação técnica. Em novembro, fiscais municipais receberão treinamento especializado em parceria com a multinacional Diageo, empresa do setor de bebidas. Além disso, o Colegiado Nacional dos Procons Estaduais trabalha para definir padrões de combate à falsificação que possam ser aplicados em todo o Brasil.
Ações policiais e o combate nacional à fraude
As autoridades também intensificaram investigações em âmbito federal. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a origem do metanol usado em bebidas adulteradas em São Paulo. Segundo o ministro Lewandowski, há indícios de que a substância pode estar relacionada a redes criminosas ligadas ao setor de combustíveis, já que parte da importação passa pelo porto de Paranaguá, no Paraná. A hipótese é de conexão com o crime organizado.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, destacou a gravidade da situação ao anunciar que 50 mil garrafas de bebida suspeita foram apreendidas e 15 milhões de selos falsificados foram retirados de circulação. Para ele, o problema ultrapassa os limites estaduais e precisa ser enfrentado como questão nacional. A preocupação é que a fiscalização atual não seja suficiente para barrar a escala de atuação dessas redes clandestinas.
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O episódio reforça a necessidade de ampliar o controle sobre a produção e a comercialização de bebidas no Brasil. A combinação de fiscalização eficiente, denúncias da população e investigações federais pode ser determinante para reduzir os riscos. Enquanto isso, a recomendação é clara: desconfiar de preços muito baixos, verificar a procedência e nunca consumir produtos de origem duvidosa. A economia em um drink barato pode custar caro demais.
