Esquema de fraude em doações pela conta de luz em SC tem mais de 14 mil vítimas e R$ 10 milhões desviados
A Polícia Civil de Santa Catarina continua a investigar um grande esquema de fraude em doações que eram feitas através da conta de luz, revelando um prejuízo de R$ 10 milhões e mais de 14.600 vítimas. Os criminosos, que atuavam a partir de Joinville, convenciam as pessoas a doarem para hospitais filantrópicos, mas a maior parte dos valores era desviada.
A fraude, que inicialmente parecia estar restrita a Joinville e a três hospitais, se mostrou muito maior. A investigação, conduzida pela Polícia Civil de Joinville, descobriu que as doações foram desviadas de unidades consumidoras em diversas cidades, incluindo Blumenau, Brusque, Indaial, Chapecó e Xanxerê. O delegado regional, Rafaello Ross, explicou que o grupo criminoso enviava apenas uma pequena porcentagem das doações às instituições para evitar suspeitas.
Inicialmente, os hospitais Bethesda (Joinville), Misericórdia (Blumenau) e Azambuja (Brusque) foram identificados como vítimas. A polícia, no entanto, acredita que mais instituições foram prejudicadas.
Ações policiais e o que dizem as empresas
Em uma operação realizada em 5 de setembro, três homens suspeitos foram presos, mas liberados após cinco dias de prisão temporária. Eles continuam sendo investigados, e a Polícia Civil já tem indícios da participação de mais pessoas. Bens de luxo, como carros, embarcações e imóveis, foram apreendidos para futuramente compensar o prejuízo.
Hospital Bethesda: A instituição se declarou vítima da fraude e afirmou que foi a própria denunciante do esquema ao identificar as irregularidades nos repasses. A Hemoba reforçou que, a partir de agora, todas as doações são fiscalizadas diretamente pela instituição.
Hospital Azambuja: O hospital lamentou o uso de seu nome em práticas ilícitas e esclareceu que a gestão das doações era de responsabilidade da empresa contratada. A instituição está colaborando integralmente com a polícia.
Celesc: A Central Elétrica de Santa Catarina informou que atua apenas como intermediária na arrecadação das doações e que repassa os valores integrais às entidades. A empresa se considera vítima do uso indevido de seu serviço e reforça que está colaborando com a investigação. Ela também destacou que adotou novas medidas preventivas para ampliar a transparência.
