Abelhas agora matam mais que cobras no Brasil e não existe antídoto no SUS!
As abelhas são fundamentais para a natureza, mas o aumento de ataques no Brasil tem revelado um lado perigoso desses insetos. Conhecidas pelo mel e pela polinização, as africanizadas podem se transformar em ameaça real quando atacam em grupo. O problema é tão sério que já superou até os casos envolvendo serpentes, ocupando o terceiro lugar entre os acidentes com animais peçonhentos no país.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2024 foram mais de 34 mil registros de ataques, com 117 mortes confirmadas. O salto é alarmante: em apenas quatro anos, o número de casos praticamente dobrou. Pesquisadores apontam que tanto o crescimento da apicultura quanto as mudanças climáticas estão ampliando a presença das colmeias em áreas urbanas.
Mesmo com os riscos, o tema ainda é tratado de forma secundária na saúde pública. Isso porque, diferente de cobras, escorpiões e aranhas, não existe antídoto disponível no SUS para picadas de abelha. O tratamento atual é apenas de suporte, focado em controlar sintomas e evitar complicações.

Por que o veneno das abelhas é tão perigoso?
O risco não está apenas na ferroada em si, mas na quantidade de veneno inoculado em ataques coletivos. Quando dezenas ou centenas de abelhas ferroam ao mesmo tempo, a toxina se acumula no corpo e pode provocar desde reações alérgicas graves até falência de órgãos. Em pessoas alérgicas, até uma única picada pode desencadear uma crise de anafilaxia.
Os sintomas variam conforme o caso. Picadas isoladas costumam causar apenas inchaço, vermelhidão e dor local. Mas múltiplas ferroadas ou reações alérgicas podem gerar falta de ar, taquicardia, pressão baixa, náusea, vômito, convulsões e até risco de morte. Isso explica por que os óbitos estão crescendo de forma preocupante.
Além disso, cerca de 8% da população mundial é alérgica ao veneno das abelhas sem sequer saber. Nessas pessoas, a reação pode evoluir rapidamente, exigindo atendimento médico imediato. E como não há antídoto, cada minuto de resposta faz a diferença entre a vida e a morte.
Existe esperança de um antídoto no futuro?
Pesquisadores brasileiros da Unesp, Instituto Butantan e Instituto Vital Brazil estão avançando no desenvolvimento de um soro específico contra o veneno de abelhas. Até recentemente, a dificuldade era que a toxina provocava dor intensa nos animais usados para a produção de anticorpos, inviabilizando os testes.
Com novas técnicas biotecnológicas, os cientistas conseguiram remover os componentes que causam dor e manter apenas os elementos tóxicos. Isso permitiu que cavalos produzissem anticorpos eficazes, resultando em um antiveneno experimental batizado de antiveneno apílico. Em testes clínicos iniciais, pacientes picados por até 500 abelhas tiveram melhora significativa.
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Agora, a pesquisa aguarda autorização para um estudo maior, que poderá abrir caminho para o registro na Anvisa e, finalmente, para a distribuição no SUS. Se aprovado, o Brasil será o primeiro país do mundo a disponibilizar um antídoto contra picadas de abelhas, podendo até exportar a tecnologia. Até lá, a recomendação é evitar áreas de risco e buscar atendimento médico imediato em caso de ataques.
