Gordofobia: como evitar a discriminação? A pressão sobre a mulher gorda é maior do que sobre o homem gordo
O Dia de Luta Contra a Gordofobia, comemorado esta semana, em 10 de setembro, é mais uma data que marca um movimento para chamar a atenção sobre este preconceito, que atinge milhares de pessoas no universo da obesidade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), estima-se que existam 1 bilhão de obesos no mundo, numa curva crescente e alarmante de casos.
“É um equívoco pensar que esta epidemia mundial traz apenas consequências físicas de uma doença crônica, como é a obesidade. Pode, sim, ocasionar sérios transtornos emocionais, quando os obesos se sentem discriminados. É crucial compreender que não é apenas um fator estético ou uma escolha individual, mas uma questão que ultrapassa a boa forma física e envolve a geração de um estigma, muitas vezes imposto dentro da própria casa, pelos familiares, amigos e até no local de trabalho. E todos nós temos responsabilidade de reverter este cenário”, alerta Prof. Dr. Durval Ribas Filho – Médico Nutrólogo, Fellow da The Obesity Society – TOS (USA), Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 2025, congresso que acontece este mês, em São Paulo, e onde o tema será um dos focos de discussão.

O especialista sinaliza pontos importantes de atenção, como um caminho para que as pessoas entendam que hoje a gordofobia está na lista de outros preconceitos, como os raciais, sociais, étnicos, religiosos e sexuais.
Diferenças por gênero – A pressão sobre a mulher gorda é maior do que sobre o homem gordo. Fatores de etnia e sexualidade também estão presentes na gordofobia.
Pessoas magras não são perfeitas – Elas também têm seus limites e ficam doentes.
Estética – A imagem da perfeição física leva a muitas críticas, focadas em um “corpo gordo”, induzindo a avaliar que estas pessoas são incapazes e descuidadas, por fugirem da silhueta magra, reconhecida como ideal.
Insinuações – Frases como “seu rosto é bonitinho, mas…” e “você é fofinha” são formas veladas de discriminar o obeso.
Desequilíbrio emocional – A gordofobia internalizada, o medo de as pessoas serem gordas e discriminadas, pode levar a transtornos alimentares sérios, principalmente entre os adolescentes.
Positividade – É preciso reavaliar este olhar negativo e discriminatório em relação às pessoas acima do peso. Obesidade é uma doença.
Discriminação – A exclusão social, a restrição de acessibilidade e o constrangimento, como nas catracas de ônibus e nos cintos de segurança dos aviões, podem trazer sérios riscos para o dia a dia desses indivíduos.
Sem conscientização – Se a sociedade não revisar certos conceitos, em relação aos obesos, estas pessoas estão sujeitas à inferiorização, à humilhação e até a serem ridicularizadas.
“A gordofobia é uma doença social. É verdade que o primeiro passo deve ser dado pelo próprio obeso, para cuidar da sua autoestima e saúde. Mas é um processo que precisa de apoio e acolhimento, e não de discriminação”, observa o médico nutrólogo, que escreveu o livro Obeso Acolhido, em coautoria com o Dr. Arthur Kaufman. “O obeso não é ‘abraçado’ pela sociedade como deveria”, conclui.
