EUA cancelam vistos de funcionários do governo brasileiro envolvidas no Programa ‘Mais Médicos
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (13) a revogação dos vistos de entrada de dois integrantes do governo brasileiro que participaram da implementação do programa Mais Médicos. A medida, segundo o Departamento de Estado norte-americano, foi motivada por acusações de que o projeto teria envolvido trabalho forçado de médicos cubanos.
Foram atingidos pela decisão Mozart Júlio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais da pasta e ex-funcionário da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que classificou o Mais Médicos como um “esquema de exportação de trabalho forçado” conduzido por Cuba. Segundo ele, os dois brasileiros “facilitaram o envio de médicos cubanos ao país em condições exploratórias, com a intermediação da Opas, e recursos destinados ao regime cubano em vez dos profissionais”.
Contexto do programa
Criado em 2013, durante o governo Dilma Rousseff, o Mais Médicos tinha o objetivo de ampliar o atendimento de saúde em regiões carentes, incluindo áreas remotas da Amazônia Legal. No auge, chegou a reunir mais de 18 mil médicos, sendo a maioria cubanos, e atendeu mais de 60 milhões de brasileiros em mais de 4 mil municípios.
O programa foi suspenso em 2018 após o governo cubano encerrar sua participação, em meio a críticas e denúncias de que os médicos recebiam apenas parte dos salários pagos pelo Brasil. Em 2023, foi relançado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, com foco em profissionais brasileiros.
