Pai quebra recepção de hospital em protesto após morte da filha recém-nascida; família alega negligência médica
Um episódio de comoção e revolta marcou a quarta-feira (2) em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Inconformado com a morte da filha recém-nascida, que nasceu sem vida após um parto induzido, o pai, identificado como Victor Petrick, destruiu parte da recepção do Hospital Guararapes, no bairro de Prazeres, onde o caso ocorreu. O momento foi registrado por ele mesmo e publicado nas redes sociais como forma de protesto.
Nas imagens, Victor aparece usando um capacete e quebrando portas, vidros e equipamentos da recepção da unidade. “Eu queria só uma explicação, só uma. Mataram minha filha aqui. Não vai ter atendimento hoje para ninguém”, declarou enquanto danificava o local.

Segundo a direção do hospital, o protesto causou danos significativos: portas, mesas, computadores, impressoras e outros aparelhos essenciais foram destruídos. Alguns funcionários se feriram com estilhaços e precisaram de atendimento médico.
A Polícia Militar foi acionada, mas ao chegar ao local, o homem já havia ido embora. Em nota, o Hospital Guararapes disse que “se solidariza com a família pela perda” e reforçou que “não compactua com atos de violência e agressão”. A instituição também informou que a destruição será investigada pelos órgãos competentes.
A prefeitura de Jaboatão afirmou estar à disposição da família para prestar apoio conforme os protocolos de escuta humanizada.
Família aponta negligência no atendimento
De acordo com relatos da sogra de Victor, Cristina da Silva, a família acredita que houve negligência médica no caso. Isabelle Raissa Silva, de 24 anos, deu entrada no hospital no domingo (29), às 18h, com quase 10 meses de gestação. Ela teria ido ao local por recomendação da enfermeira do posto de saúde que acompanhou o pré-natal.
Segundo Cristina, a filha e a neta estavam bem momentos antes do atendimento. Ela relatou que acompanhou por videochamada os primeiros passos do processo de indução do parto, onde, de acordo com ela, dois comprimidos de misoprostol foram aplicados de forma intravaginal logo após a internação.
“Ela começou a sentir dores muito fortes. Quando reclamou, a enfermeira respondeu: ‘é assim que a gente quer’. Depois ainda deram outro comprimido, por via oral”, afirmou a avó.
Pouco tempo depois, o bebê teria parado de se mover, e os batimentos cardíacos começaram a oscilar. A bolsa foi rompida pela médica, segundo o relato, e já havia mecônio (fezes do bebê) — sinal de sofrimento fetal. A partir de então, os batimentos cardíacos não foram mais detectados.
Isabelle foi transferida para o IMIP (Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira), onde passou por uma ultrassonografia e concluiu o trabalho de parto. A bebê, Lara, no entanto, nasceu sem vida.
O que dizem os envolvidos
Hospital Guararapes: Lamentou o ocorrido e disse colaborar com as investigações sobre os danos causados à estrutura do hospital.
Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes: Afirmou estar prestando apoio à família, dentro dos protocolos de atendimento humanizado.
Família da paciente: Alega negligência e pede explicações formais. Victor Petrick afirma que só deseja justiça.
