Suspeita de atrair jovem para emboscada é assassinada dias depois e havia demonstrado arrependimento por envolvimento com o crime
Anna Luiza Lima Brito, de 21 anos, suspeita de participar da emboscada que resultou na morte de Matheus Rodrigues de Souza, de 24 anos, em Eunápolis, no extremo sul da Bahia, foi assassinada dois dias após o crime. O corpo dela foi encontrado esquartejado na quarta-feira (25), em um caso que a polícia investiga como retaliação por parte de integrantes de uma facção criminosa.
De acordo com a Polícia Civil, Anna Luiza teria atraído Matheus até o local do crime e repassado a localização dele ao autor do homicídio. O assassinato ocorreu na segunda-feira (23), e até a manhã desta sexta (27), nenhum suspeito de participação nos crimes havia sido preso.

“Minha vida seria diferente”: jovem demonstrou arrependimento antes de morrer
Dias antes de ser morta, Anna Luiza havia demonstrado arrependimento por ter se envolvido com o tráfico de drogas. Em uma troca de mensagens com a mãe, Lih Lima, no dia 5 de junho, ela refletiu sobre suas escolhas:

“Tivesse sido uma pessoa inteligente, minha vida seria diferente hoje”, escreveu a jovem.
A mãe, tentando encorajar a filha a mudar de rumo, respondeu:
“Você não morreu. Ainda dá tempo. Muda.”
Em publicações nas redes sociais, Lih compartilhou as mensagens e desabafou sobre a morte da filha. Ela também divulgou uma homenagem enviada por Anna Luiza no Dia das Mães, na qual a jovem agradecia por cuidar dos três filhos dela:
“Bênção, mãe. Feliz Dia das Mães. Obrigada por tudo que fez por mim e por tudo que está fazendo pelos meus filhos. Amo muito a senhora.”
Em outra resposta, Lih demonstrava preocupação com os rumos da filha, mas deixava claro que não a julgava:
“Você sabe que eu jamais vou te julgar por querer viver sem a responsabilidade dos meninos. […] Não dessa forma aí… mas acho que você deve aproveitar muito a vida ainda.”
Investigação segue sem presos
A Polícia Civil apura a ligação entre os dois homicídios — o de Matheus e o de Anna Luiza — como parte de um possível conflito interno em facções criminosas. A jovem pode ter sido assassinada como forma de vingança, após ter colaborado com o assassinato do rapaz.
O caso expõe, mais uma vez, o ciclo de violência e a vulnerabilidade de jovens cooptados por grupos criminosos.
