Maior cratera de meteoro da América do Sul, na divisa entre Goiás e Mato Grosso, é maior que a cidade do Rio
Há aproximadamente 250 milhões de anos, um asteroide com cerca de quatro quilômetros de diâmetro colidiu com a Terra, deixando uma imensa cratera hoje conhecida como Domo de Araguainha. Localizado na divisa entre os estados de Goiás e Mato Grosso, o local é considerado a maior estrutura de impacto meteorítico da América do Sul e é reconhecido pela International Union of Geological Sciences (IUGS), associada à Unesco, como um dos cem principais sítios geológicos do mundo.
Com um diâmetro de cerca de 40 quilômetros e uma área aproximada de 1,3 mil km², o Domo de Araguainha ocupa territórios dos municípios de Ponte Branca, Araguainha e Alto Araguaia, no Mato Grosso, e Doverlândia, Mineiros e Santa Rita do Araguaia, em Goiás.
A descoberta do impacto remonta à década de 1970, quando cientistas da Nasa, Robert Dietz e Bevan French, publicaram as primeiras observações. Posteriormente, pesquisas conduzidas pelo professor Álvaro Crósta, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), confirmaram a origem meteórica da formação.

Segundo Crósta, o asteroide teria atingido uma região então coberta por um mar raso, provocando terremotos e tsunamis que afetaram uma área de até 500 quilômetros. Embora a colisão tenha causado grande destruição de vida regional, não foi suficiente para gerar uma extinção em escala planetária.
O impacto resultou em fenômenos geológicos raros, como o metamorfismo de choque, que alterou minerais da superfície terrestre, incluindo o zircão, deformado pela enorme pressão e temperatura geradas no evento.
Estudos por meio de isótopos indicam que o evento ocorreu há cerca de 254 milhões de anos, no início da era Mesozóica, muito antes do surgimento dos dinossauros.
Hoje, o Domo de Araguainha é destino de estudantes, cientistas e visitantes curiosos, e existe um projeto para transforma-lo em parque geológico, visando a preservação ambiental e a divulgação científica.

