George Santos, ex-deputado de origem brasileira, é condenado a 7 anos de prisão nos EUA
O ex-deputado norte-americano George Santos, filho de imigrantes brasileiros e eleito pelo Partido Republicano em 2022, foi condenado nesta sexta-feira (25) a 87 meses de prisão por crimes relacionados à corrupção, fraude e falsificação de registros financeiros. A sentença marca o ponto final de uma trajetória política meteórica e controversa, marcada por mentiras públicas e escândalos.
Santos, que foi expulso do Congresso após a revelação de uma série de inverdades sobre sua trajetória pessoal e profissional, também terá de pagar mais de US$ 370 mil em restituição às vítimas e uma multa adicional de US$ 205 mil. A juíza federal Joanna Seybert, responsável pela sentença, acatou integralmente o pedido da promotoria. Durante o julgamento, ela questionou diretamente o réu: “Onde está seu remorso? Onde eu vejo isso?”, sinalizando ceticismo diante das alegações de arrependimento apresentadas pela defesa.
Mesmo após admitir culpa no ano passado, o Departamento de Justiça destacou que Santos “reiteradamente tentou transferir a responsabilidade para terceiros” e não demonstrou genuíno arrependimento. Ele foi acusado de enganar doadores, fraudar documentos de campanha e receber indevidamente benefícios de seguro-desemprego.

No tribunal, o ex-congressista se emocionou ao pedir clemência, dizendo-se “humilhado” e “castigado” pelos próprios atos. “Ofereço minhas mais profundas desculpas. Não posso reescrever o passado, mas posso controlar o caminho à frente”, declarou, em um pronunciamento emocionado. A defesa havia solicitado uma pena de dois anos, alegando que Santos agiu movido por desespero político, não por malícia premeditada — argumento que não convenceu a magistrada.
De acordo com o promotor interino John Durham, responsável pelo caso no Distrito Leste de Nova York, Santos “responde por anos de fraude e manipulação”. “Ele vai para uma prisão federal e será punido por sua impressionante fraude”, afirmou. O ex-deputado deixou o tribunal sem falar com a imprensa e deverá se apresentar para cumprir pena no dia 25 de julho.
A trajetória de Santos chamou atenção pela rapidez com que sua imagem pública se deteriorou. Ele foi eleito por um distrito de alta renda que inclui áreas do Queens e de Long Island, em Nova York. Pouco depois da eleição, vieram à tona informações de que ele havia forjado grande parte de sua biografia, incluindo alegações falsas sobre formação acadêmica e carreira em instituições financeiras de prestígio.
As revelações motivaram investigações criminais e parlamentares que acabaram por revelar uma ampla rede de fraudes, incluindo o uso de identidades de doadores — inclusive de familiares — para financiar sua campanha. “Ele contou mentira após mentira, até que foi desmascarado. O que vimos foi um oportunista e fraudador”, afirmou a promotora do condado de Nassau, Anne Donnelly, também republicana.
A sentença representa o encerramento de um dos episódios políticos mais escandalosos do Congresso americano nos últimos anos, e lança um alerta sobre a fragilidade dos mecanismos de verificação no processo eleitoral.
