Após 12 horas de cirurgia, veja o que foi feito no procedimento de Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido, no domingo (13), a uma cirurgia de grande porte para tratar uma obstrução parcial no intestino. O procedimento, realizado em Brasília, durou cerca de 12 horas e foi classificado pelos médicos como uma laparotomia exploradora. Segundo a equipe médica, o pós-operatório deve se estender por um período de dois a três meses. Não há previsão de alta hospitalar.
De acordo com o boletim médico, o problema identificado foi uma suboclusão intestinal, condição caracterizada por bloqueio parcial da passagem de fezes pelo intestino. A causa está associada a aderências formadas após múltiplas cirurgias realizadas desde a facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.

Aderências e complicações recorrentes
As aderências são formações de tecido cicatricial que surgem no interior do abdome, geralmente após intervenções cirúrgicas. No caso de Bolsonaro, essas estruturas ligaram partes do intestino entre si, o que comprometeu a mobilidade do órgão e gerou a obstrução parcial. Médicos explicam que o intestino, que normalmente se movimenta livremente dentro da cavidade abdominal, pode ficar “dobrado” ou “torcido”, dificultando o trânsito intestinal — situação comparável a uma mangueira de jardim mal enrolada.
Essas aderências são comuns entre pacientes com histórico de cirurgias intestinais, e podem se intensificar com o tempo, exigindo novas intervenções.

Laparotomia exploradora e reconstrução abdominal
O procedimento realizado foi uma laparotomia exploradora, técnica que envolve uma incisão ampla na região abdominal para que os médicos possam examinar toda a cavidade e remover as aderências. A incisão foi feita na mesma região das cirurgias anteriores, o que exigiu cuidados adicionais.
Durante a cirurgia, também foi realizada a reconstrução da parede abdominal. Bolsonaro apresentava hérnias nos pontos das incisões antigas, resultado da fragilidade muscular causada pelas cirurgias anteriores. O reparo envolveu a retirada de tecidos comprometidos e a reaproximação de planos musculares saudáveis, com o objetivo de reforçar a estrutura do abdome.
Estado de saúde e próximos passos
Apesar da complexidade da cirurgia, a equipe médica afirmou que o procedimento foi bem-sucedido. Bolsonaro permanecerá sob observação intensiva nos próximos dias. O pós-operatório requer cuidados prolongados e poderá durar de dois a três meses, período no qual ele deve permanecer afastado de compromissos públicos.
A recuperação será acompanhada por uma equipe multidisciplinar, incluindo cirurgiões, nutricionistas e fisioterapeutas, para garantir a retomada gradual das funções intestinais e da mobilidade abdominal.
