Ex-governador Carlesse e ex-secretários tornam-se réus por interferência nas investigações da Polícia Civil
O ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse, agora é réu em uma ação criminal que investiga o suposto aparelhamento da Polícia Civil para obstruir investigações sobre corrupção no estado. Juntamente com Carlesse, três ex-secretários e dez delegados também foram denunciados. O ex-governador já se encontra preso desde dezembro de 2024, com prisão preventiva decretada por risco de fuga internacional.
A denúncia, que foi aceita pela Justiça, detalha um esquema de interferência nas investigações iniciadas após Carlesse assumir o governo em 2018. Entre os atos investigados estão a abertura de processos disciplinares contra delegados que apuravam corrupção, além de mudanças nos comandos de delegacias e a criação de um manual que proibia os delegados de criticar autoridades ou dar entrevistas sem permissão.

Os acusados são: Mauro Carlesse, o sobrinho Claudinei Aparecido Quaresemin, Cristiano Barbosa Sampaio (ex-secretário de Segurança Pública) e Rolf Costa Vidal (ex-secretário da Casa Civil). A investigação aponta que o grupo estruturou uma rede de espionagem e utilizou a Polícia Civil para interromper investigações relacionadas a corrupção e ao governo estadual.
Em sua defesa, a assessoria de Cristiano Barbosa Sampaio afirmou que a retomada da investigação, que havia sido arquivada há dois anos, não trouxe novos elementos e que aguardam mais informações sobre os processos.
Além de corrupção, os denunciados respondem por formação de organização criminosa, abuso de poder e violação de dever. O Ministério Público também solicitou a perda dos cargos públicos e uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos. A ação se insere no contexto de várias investigações que envolvem o ex-governador, incluindo acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de investigações.
O caso segue sob análise da Justiça e deve trazer mais desdobramentos sobre as alegações de manipulação da Polícia Civil para garantir impunidade a envolvidos em corrupção.
