Cazaquistão enviará caixas-pretas de avião da Embraer ao Brasil para investigação
O Cazaquistão anunciou neste domingo (29), que as duas caixas-pretas do avião da Embraer que caiu na última quarta-feira (25) serão enviadas ao Brasil para análise. Representantes da fabricante brasileira e da Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) já estão envolvidos nas investigações. A Embraer declarou estar acompanhando o caso de perto e comprometida em colaborar com as autoridades.
O acidente, que deixou 38 mortos, está cercado de especulações e acusações. O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, acusou a Rússia de disparar contra o avião antes de sua queda, alegando que Moscou tentou encobrir o incidente. É a primeira vez que a possibilidade de um ataque direto é mencionada publicamente, reforçada por imagens que mostram danos na fuselagem da aeronave.
De acordo com o Ministério dos Transportes do Cazaquistão, a decisão de enviar as caixas-pretas ao Brasil foi tomada em razão da experiência técnica do país de origem da fabricante da aeronave. O vice-primeiro-ministro do Cazaquistão, Kanat Bozumbayev, informou que a análise dos gravadores de voo deve levar cerca de duas semanas.

Enquanto isso, o governo do Azerbaijão rejeitou pedidos da Rússia e do Cazaquistão para que a investigação fosse liderada pela Comunidade de Estados Independentes (CEI), preferindo um grupo internacional e o envolvimento direto da Embraer.
No sábado, o presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu que as defesas aéreas russas estavam em operação durante um suposto ataque de drones ucranianos. Contudo, ele não confirmou se a aeronave da Azerbaijan Airlines foi atingida por fogo russo. Em conversa com Aliyev, Putin referiu-se ao acidente como um “trágico incidente” e pediu uma investigação transparente.
O avião, que partiu de Baku com destino a Grozny, desviou significativamente de sua rota e caiu no Cazaquistão. Dados do Flightradar24 revelaram interferências de GPS que podem ter desorientado os sistemas de navegação, forçando o desvio. A Rússia, acusada anteriormente de interferir em sinais GPS na região, não se pronunciou sobre essa possibilidade.

Além disso, foi confirmado que o aeroporto de Grozny enfrentava ataques de drones no momento da queda. Autoridades russas ofereceram alternativas de pouso, mas o piloto optou por seguir para o Cazaquistão, onde ocorreu o acidente.
A Azerbaijan Airlines afirmou que o acidente foi causado por “interferências externas, físicas e técnicas” e suspendeu voos para dez cidades russas. A declaração sugere um ambiente de instabilidade regional que pode impactar voos comerciais. Especialistas compararam o caso ao voo MH17 da Malaysia Airlines, abatido em 2014 no leste da Ucrânia, atribuindo a responsabilidade a um míssil russo.
Com a expectativa de novas revelações a partir das caixas-pretas, a comunidade internacional aguarda por uma investigação que esclareça o que de fato aconteceu. O caso já acendeu alertas sobre os riscos da aviação civil em zonas de conflito.

Características da aeronave
O modelo da Embraer envolvido no acidente é conhecido por sua eficiência e é amplamente utilizado em voos comerciais e governamentais. Com capacidade para até 114 passageiros, é também o avião oficial da Presidência da República do Brasil e do clube de futebol Palmeiras. Sua velocidade máxima é de 871 km/h, com alcance de 4.537 km.
O desenrolar das investigações será crucial para determinar as responsabilidades e evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.
