Vilarejo italiano com 50 habitantes: o refúgio secreto planejado pelo ex-governador Mauro Carlesse
Na manhã deste domingo (15), o ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse (Agir), foi preso em uma fazenda em São Salvador por determinação da 3ª Vara Criminal de Palmas. A prisão revela detalhes surpreendentes sobre um suposto plano de fuga internacional, envolvendo documentos estrangeiros e um destino isolado na Itália.
Segundo o Ministério Público Estadual (MPTO), Carlesse planejava fugir para Pieve Caina, um pequeno povoado com cerca de 50 habitantes, localizado no município de Marsciano, na região da Úmbria, Itália. A área é conhecida por suas paisagens rurais, colinas e montanhas, características que tornam o local discreto e pouco movimentado.
A investigação revelou que Carlesse, que possui ascendência italiana, emitiu um passaporte italiano e uma identidade uruguaia para facilitar sua fuga e ocultar possíveis transferências financeiras.

Documentos estrangeiros e transferências de dinheiro
Durante operações da Polícia Federal, foram descobertas conversas que indicavam planos para enviar dinheiro ao exterior. A identidade uruguaia seria utilizada para abrir contas bancárias no Uruguai e realizar transferências internacionais de forma discreta.
Outro ponto revelado foi a participação de Claudinei Quaresemin, ex-secretário de Parcerias e Investimentos do Tocantins e sobrinho de Carlesse. Ele teria intermediado o aluguel de uma casa em Pieve Caina, utilizando o nome de terceiros para encobrir a ligação com o ex-governador.

A decisão judicial destaca que Carlesse já estava de posse de seu passaporte italiano e havia declarado residência em Marsciano, preparando-se para sair do Brasil.
Defesa nega plano de fuga
Em entrevista à TV Anhanguera, Carlesse negou as acusações de tentativa de fuga. Ele justificou a posse dos documentos estrangeiros como algo natural devido à sua cidadania italiana e interesses comerciais no Mercosul.
“Por ser um cidadão italiano, posso ter casa lá, aliás tenho uma casa lá para quando estiver de férias ou por algum motivo. E Uruguai é outra história e negócios”, afirmou Carlesse.

Prisão e audiência de custódia
Após a prisão, Carlesse passou por audiência de custódia em Gurupi e foi transferido para o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Palmas. Em sua defesa, ele alegou não saber o motivo da prisão e afirmou estar à disposição da Justiça.
A defesa do ex-governador solicitou a revogação da prisão, mas o desembargador João Rigo Guimarães negou o habeas corpus, justificando que havia evidências de uma “sofisticada articulação para potencial evasão do país”.
Implicações e continuidade das investigações
Mauro Carlesse é alvo de diversas ações penais e investigações que apuram crimes como corrupção, fraudes, desvios de recursos públicos e aparelhamento da Polícia Civil do Tocantins. A descoberta deste plano de fuga levanta questões sobre a extensão das operações ilegais e as conexões internacionais envolvidas.
A prisão de Carlesse representa um marco na luta contra a corrupção no estado, reforçando o compromisso das autoridades em evitar que figuras públicas escapem das penalidades legais.

Íntegra da nota da defesa de Mauro Carlesse
O ex-governador Mauro Carlesse informa à população tocantinense que recebeu a notícia da prisão com indignação, pois não é condenado em nenhum processo e nem possui qualquer proibição de ir e vir, estando em pleno gozo de todos os seus direitos fundamentais, principalmente o de ir e vir.
Quando requisitado, sempre responde à Justiça com advogado constituído e colabora com as informações solicitadas.
Mauro Carlesse sempre esteve à disposição da Justiça e assim permanecerá. A defesa irá apresentar o pedido de revogação da prisão.
