As enchentes que assolam o Rio Grande do Sul já deixaram uma a cada 20 pessoas desalojadas, segundo dados da Defesa Civil estadual.
Situação Atual Mais de meio milhão de pessoas (538.245) estão desalojadas no Rio Grande do Sul, de acordo com o último balanço da Defesa Civil. Esse número representa cerca de 5% da população do estado, que é de aproximadamente 10.882.965 habitantes, conforme o último censo do IBGE.
Fotos: Reprodução / Carlos Fabal
Os desalojados não necessariamente perderam suas casas, ao contrário dos desabrigados. Esse grupo é formado por pessoas que deixaram suas residências e, em muitos casos, encontraram refúgio nas casas de parentes.
O número de desalojados teve um aumento significativo, ultrapassando 500 mil, com o total de pessoas nessa situação subindo de 339.925 para os atuais 538.245 desalojados.
Cerca de 80 mil pessoas estão abrigadas. Em um desses locais, em Novo Hamburgo, uma grávida deu à luz recentemente. Em outro abrigo, um filhote de porco encontrou refúgio entre as pessoas.
No domingo (12), prefeitos emitiram alertas para que moradores de áreas atingidas não retornem para suas casas. O prefeito de Canoas (RS), Jairo Jorge (PSD), explicou que as chuvas intensas podem elevar o nível dos rios em até 5,5 metros. O alerta também foi dado em outras regiões, como o Vale do Taquari, onde o prefeito Jonas Calvi (PSDB), de Encantado, ressaltou que “há muita água para chegar”. O prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (PP), orientou os moradores a permanecerem nos abrigos.
Dos 497 municípios do RS, 450 foram afetados pelas enchentes causadas pelas fortes chuvas, conforme o último boletim.
Cenários Impactantes Algumas cidades foram completamente alagadas. Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, foi tomada pela água, transformando-se em um “cemitério de carros”. O município, que tem cerca de 40 mil habitantes, foi evacuado na terça-feira passada (7), e municípios vizinhos ofereceram abrigo. Em Eldorado do Sul, uma mãe e sua filha conseguiram sair de uma área alagada após escreverem um pedido de socorro em batom.
Algumas cidades planejam mudar de local. Os prefeitos de Muçum e Roca Sales, no Vale do Taquari, entendem que não adianta reconstruir prédios públicos e partes dos bairros residenciais no mesmo lugar de antes. Em Roca Sales, 50% da cidade deve ser reconstruída em outro local, enquanto em Muçum, pelo menos 30% das áreas serão afetadas.
Em Roca Sales, quatro membros de uma mesma família foram encontrados abraçados sob a terra. A casa em que estavam foi atingida por um deslizamento e ficou completamente soterrada. Um parente relatou que eles eram “muito unidos”.
Reconstrução e Perspectivas Futuras A reconstrução das áreas afetadas deve levar pelo menos um ano, alerta a Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV).
Famílias buscaram refúgio no litoral do Rio Grande do Sul. Além dos alagamentos, moradores da região metropolitana de Porto Alegre enfrentam falta de água e luz. Muitos optaram por migrar para o litoral, que não foi tão impactado.
O número de mortos já supera o total de óbitos por desastres entre 1991 e 2022, somando 147 óbitos em menos de um mês, segundo o boletim divulgado pela Defesa Civil.
O nível do Guaíba, em Porto Alegre, continua a subir, com projeção de ultrapassar os 5,5 metros.
Operações de Resgate Os resgates estão sendo realizados com diversos recursos, incluindo laços, colchões infláveis, barcos e helicópteros. Mais de 40 helicópteros estão em operação, e antes, a retirada da população era feita de forma improvisada, até mesmo com o uso de carrinhos de mão, como ocorreu em Bento Gonçalves, na Serra gaúcha.
Em uma ação notável, amigos utilizaram um colchão inflável para resgatar 20 pessoas na Ocupação Cobal, no Quarto Distrito de Porto Alegre. Os amigos relataram que não dormiram por conta dos resgates.