De repente, filhos: pai de 12 e pai de 5 relatam como driblam rotina e os desafios de uma grande família
De filho único para pai de 10 e à espera de mais duas gêmeas. De irmão gêmeo para pai de 5. Essas duas realidades podem até lembrar roteiros de filmes, mas são vividas pelo empresário Carlos Arasaki, de 38 anos, e o analista financeiro Ricardo Mello, de 41 anos, moradores de São Paulo.
Ricardo Mello é casado com Priscila Sandri e os dois nunca planejaram ter cinco filhos. Quando a primogênita Catarina estava com um ano e meio, os dois decidiram dar um irmão para a filha. Mas a gestação surpreendeu: foi de quadrigêmeos, o que causou um misto de susto e emoção.

“Quando descobrimos a segunda gravidez, em 2018, o médico disse que eram gêmeos e isso já nos surpreendeu, mas até aí seriam três crianças no total. Ao ir novamente na clínica e fazer outro exame, viram que eram quatro bebês. Ela [a esposa] me ligou chorando, de susto. Eu também fiquei sem reação e falei: ‘faz de novo o exame, só pode estar errado isso. Os médicos estão loucos. Refaz isso’. Só que não estava não. Eram quatro corações. Fiquei muito assustado e a gente ficou em choque”, afirmou ao g1.
Já Carlos Arasaki, de 38 anos, vive algo parecido com o que mostra no filme “Doze é demais”, de 2003, estrelado por Steve Martin e Kate Baker. E assim como na obra de ficção, o sonho dele e da esposa Mariana Arasaki sempre foi de ter uma grande família desde que se casaram. Por isso, abriram mão de métodos contraceptivos.
“Engraçado que quando eu assisti ao filme, eu achava que era coisa de outro mundo, apesar de sempre pensar em ter no mínimo quatro filhos, assim como a Mariana. Hoje vejo que ter 10 filhos, e mais as gêmeas que chegarão em setembro, foi a melhor coisa. Preenche o coração e é uma felicidade indescritível. Eu sempre fui filho único e nunca imaginava ser pai de 12. É uma felicidade imensa mesmo “, ressalta.
Para celebrar o Dia dos Pais, comemorado neste domingo (13), Ricardo e Carlos contaram ao g1 como as rotinas mudaram desde a chegada dos filhos e como driblam os desafios, entre eles controlar gastos e, principalmente, ajudar as esposas no desenvolvimento das crianças.
De um para cinco
A genética de gêmeos faz parte tanto da família de Ricardo quanto da sua mulher. Ele tem irmão gêmeo não idêntico e a bisavó de Priscila teve filhos gêmeos.
Por conta disso, Priscila conta que sempre sonhou dar à luz gêmeos e já tinha falado isso ao marido. “A minha primeira gestação não veio casal de gêmeos, mas veio a nossa linda Catarina. Em 2018 fomos para Aparecida, quando decidimos que íamos tentar de novo engravidar. Pedimos [durante a oração] que se fossemos capaz, ter condições financeiras, que poderiam nos mandar gêmeos. Só que eu pedi e ele pediu também. O pedido multiplicou”, relata Priscila.

No mesmo ano, em fevereiro, ela descobriu que estava grávida, mas sofreu aborto espontâneo. “Foi a derrota. A gente ficou super mal. Só que no final de abril fiquei grávida de novo e no primeiro exame apontou que eram gêmeos. A gente ficou surpreso, mas muito felizes “, diz Priscila. Ela engravidou naturalmente.
Quando estava de seis semanas de gestação, Priscila teve um sangramento e foi para a clínica. Foi no novo exame que o casal soube dos quadrigêmeos.
“Ela me ligou chorando, chorando. Já fiquei pensando no pior. Aí ela disse: amor, são quatro. Disse: ‘isso não existe, refaz o exame. Alguma coisa está errada’. E ela continuou: ‘não, são quatro mesmo’. Eu sentei no sofá e só pensava que era impossível. Sabe quando não parece real? Fiquei em choque total”, ressalta Ricardo.
Priscila ficou internada dois meses durante a gestação e Ricardo cuidou da primogênita nesse período. “Ali eu tive que ser pai de verdade. Dar banho todos os dias, alimentar, levar para a escola. Sem a mãe, foi desesperador. Então, coloquei na minha cabeça que tinha de ser o melhor pai para ela, e fui aprendendo. A sogra ajudava, mas encarei bem”, diz Ricardo.
A chegada dos quatro bebês mudou totalmente a rotina do casal. “Depois do parto, os bebês ficaram na UTI por dois meses. O apartamento que morávamos antes era muito pequeno. Eles não tinham berço e optamos pelo chiqueirinho pela mobilidade. No começo não tinha guarda-roupa para tudo e ficava com muita coisa espalhada, era uma bagunça, tudo muito trabalhoso”, conta o casal.
“Se eu pudesse, eu tinha antes os quadrigêmeos. É muito legal e não tem preço. Eles são demais. Não vou nem falar de despesa, que é absurda realmente. Mas s eu tivesse dinheiro e tempo, eu ficava o dia inteiro com eles e teria até 10 filhos. Você tem que conhecer eles. É prazeroso ficar com eles. Eles nos ensinam todos os dias”, afirma Ricardo.

“No começo foi assustador porque é muita responsabilidade. E você quer dar o melhor para sua família, para seus filhos. De repente, eu falei: ‘amor, as crianças não cabem no carro’. Foi a primeira preocupação. Aí tivemos que comprar um novo carro, que é uma mini van. Fralda, era muita fralda. Eu não aguentava mais comprar porque eram mais de 30 fraldas diárias. Mas tirando isso, eles são incríveis e vale a pena cada minuto”, ressalta Ricardo.
O aprendizado de como cuidar de cinco crianças levou o casal a criar um perfil no Instagram para troca de informações. Hoje, a conta soma mais de 300 mil seguidores e milhares de visualizações nos vídeos.
“Eu trabalhava como fisioterapeuta e depois fiz pedagogia até para saber como lidar com as crianças. Foi nesse tempo que a gente pensou sobre criar um perfil. No começo eu não queria, mas aí fizemos o ‘De um para cinco’ e nem imaginávamos do sucesso”, conta Priscila.
Ainda de acordo com Ricardo, apesar dos desafios, entre eles uma simples saída com todos para passeio ou gastos que precisam ser controlados, é gratificante quando vê a cena de todos juntos.
“O maior desafio para um pai é educar. Educar pesa muito, mas é muito gratificante. Não trocaria essa vida, não trocaria”.
Doze é demais?
Carlos Arasaki se casou com Mariana em 2011, aos 26 anos. No mesmo ano nasceu Maria Philomena, a primogênita.
Dois anos depois, em 2013, nasceu Martin. E aí não parou mais: Maria Clara (2014), Maria Sophia (2015), Bernardo (2016), Margarida Maria (2018), Maria Madalena (2019), Stella Maria (2020), gêmeos João Pio e Josemaria (2022) e as gêmeas Maria Cristina e Maria Gabriela, que vão nascer em setembro deste ano. Os partos foram normais e Mariana engravidou de todos naturalmente.

A família, que lembra muito a do filme “Doze é demais”, viralizou nas redes sociais. Atualmente, o perfil administrado por Mariana tem mais de 600 mil seguidores e gera curiosidade nos internautas principalmente sobre como cuidar de tanta criança, como é a casa e os gastos.
“O nosso intuito é compartilhar como é bom a vida em família e os filhos ajudam nisso. Nos chamam de loucos, mas nem ligamos. Queremos mostrar que a maternidade e paternidade podem ser positivas. Podemos ajudar a mudar o olhar das pessoas. É fácil? Claro que não. Não é nada fácil, mas amamos compartilhar. Por isso, agora temos dois perfis: o ‘coração de mami’ e o ‘coração de papi”, diz o casal.
“A minha missão, no caso, é mostrar o papel do pai e o quanto você pode enriquecer ou tornar a vida do seu filho muito positiva. Porque muitas vezes o pai acha que é o segundo. Mas ele é protagonista, de fato. Tem um papel super importante. É muito importante você saber que é gratificante compartilhar a vida com os filhos, que você ama tanto, e mostrar isso para as pessoas”, ressalta Carlos.
E a adaptação ao longo dos anos não foi fácil. O casal cuidou sozinho dos primeiros cinco filhos. Depois, precisaram contratar babás para dar um auxílio.
“Até o Bernardo, o quinto, não tínhamos babá. Eu e a Mariana vivíamos intensamente a maternidade e a paternidade. Aprendemos na marra. E a cada filho, nascia o pai junto. A gente aprendeu muito com o primeiro filho, porque mudamos uma vida. De recém-formado, no mercado de trabalho, para casado e pai. A partir do momento que o Martin já nasceu, a gente viu que precisava criar uma vida mais regrada”.

Atualmente, a família mora em um apartamento de quatro quartos e conta com a ajuda de três funcionárias, sendo duas de dia e uma à noite. Por mês, são consumidos mais de 100 litros de leite, cerca de 50 quilos de carne, 15 quilos de arroz e 10 quilos de açúcar. E tem gastos com escola e atividades extras.
“Para levar todos à escola, vamos em dois carros. Na alimentação, os meus sogros ajudam e trazem alimentos semanalmente, porque eles têm fazenda. A minha tia também envia fruta, verdura. Eles [parentes] ajudam nessa dinâmica. E vamos cortando ali para economizar aqui, e assim vai”, diz Carlos.
E complementa: “Aqui em casa é como ‘coração de mãe mesmo’. Além das crianças, sempre temos visitas. Facilmente 20 pessoas almoçam aqui toda semana. A casa sempre movimentada”.
Uma das decisões de Carlos com a esposa para dar conta de cuidar de tanta criança foi de deixar as rotinas regradas.
“A gente percebeu que precisava criar rotinas e regras para dar conta. Então, é uma dinâmica de acampamento. Banho sempre no mesmo horário, refeições também. Há também horários para atividades escolares e para dormir. Senão, não tinha como controlar tudo”, explica Carlos.
Mas para conseguir conversar com todos e dar tempo de qualidade, Carlos e Mariana costumam sair com os filhos mais velhos toda semana para um passeio exclusivo.
“Com os mais velhos, a gente costuma fazer passeio apenas com um deles por vez para ter tempo de qualidade. Eles podem falar de sonhos, se abrirem. Isso ajuda a criar memória e mostra que damos importância para todos, sem distinção”.
Em setembro, nascem mais duas filhas: as gêmeas Maria Cristina e Maria Gabriela. E após se tornar pai de 12, Carlos ressalta a importância do equilíbrio.
“Por exemplo, se você está cansado do trabalho, não teve um dia bom, isso tem que ser esquecido porque existe essa expectativa de receber você. Mas o que tenho em mente que tenho que estar preparado e que meus filhos tenham uma lembrança boa do pai. Ter disponibilidade. Então, você tem que abrir mão do que você preferiria fazer, ser consciente emocional e pensar mais no seu filho”.
“Eu sempre me examino sobre se dei atenção para cada um deles. Fiz alguma coisa legal com eles. O filho acaba sendo seu legado, corre seu DNA, mas também seus valores, suas tradições. Uma pesquisa de Havard diz que o nível maior da felicidade está nos relacionamentos. E isso me faz querer cultivar uma família com muito amor e feliz”.
