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Líderes alinham força-tarefa para votar MPs, e Arthur Lira cobra bom senso do Senado

Política — 23/03/2023 - 14:54 Por:  Bruna Lima

Os líderes partidários da Câmara dos Deputados alinharam para a próxima semana a votação de medidas provisórias. A ideia é analisar as pautas sem que elas passem pelas comissões mistas (Câmara e Senado), como ocorre atualmente em razão de uma exceção aberta durante a pandemia da Covid-19.

A Câmara se opõe à volta ao rito normal e as lideranças da Casa tentam alterar a composição das comissões, que é de divisão igualitária entre membros da Câmara e do Senado, mesmo havendo 81 senadores e 513 deputados. Os deputados querem proporcionalidade.

Sem acordo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criticou o movimento do Senado em tentar a volta da tramitação normal, inclusive com uma questão de ordem. “Era de se esperar bom senso do Senado de que o que estava funcionando bem se estendesse,” disse o presidente da Câmara.

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Foto: Bruna Lima/R7

Lira afirmou que a pauta do plenário, de segunda a quinta-feira, “vai ser só de votação de 13 medidas provisórias” editadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Por parte do Senado, o presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) acordou o despacho das MPs do governo anterior para apreciação da Câmara. No entanto, para as medidas do governo Lula, o impasse continua entre os presidentes das Casas.

O Senado pretendia retomar as apreciações pelas comissões mistas — como ocorre no rito normal, previsto pela Constituição. No entanto, essa dinâmica foi interrompida durante a pandemia para viabilizar as análises, já que os parlamentares participavam das sessões remotamente.

Sem acordo

O presidente da Câmara indicou que não há acordo por parte dos líderes em apoiar a proposta de emenda à Constituição (PEC) protocolada no Senado para alterar o rito das análises das MPs. A sugestão é de alternância dos textos entre as duas Casas, diminuindo o protagonismo da Câmara.

Lira afirmou que esta alternativa foi uma proposta levada por ele, mas que o acordo era para que começasse a valer a partir das novas MPs que chegassem ao Congresso a partir da aprovação da PEC. No entanto, segundo o presidente, o texto foi modificado pelo Senado, adiantando a alternância para as propostas já trazidas pelo presidente Lula.

“O colégio de líderes foi unanimemente contra abrir mãos das suas prerrogativas. Eu atendi, cedi e, pior, o Senado alterou a negociação por influências locais, de questões pontuais”, afirmou Lira, indicando que não há mais a possibilidade da Câmara aceitar a alternância.

Lira teceu duras críticas à questão de ordem para a volta das comissões mistas, a revelia da Câmara e, sem mencionar nomes, afirmou que se trata de uma disputa travada por parlamentares alagoanos. O primeiro signatário da questão de ordem é o senador Renan Calheiros (MDB-AL), adversário político de Lira.

“Lamento que a política regional de Alagoas interfira no Brasil. O Senado não pode ser refém de Alagoas, nem do Amapá”, disse Lira, em referência ao senador Davi Alcolumbre (União-AP), com quem chegou a ser reunir para alinhar a PEC.

Entenda a disputa entre Lira e Pacheco

Desde 2002, as MPs eram analisadas primeiro por uma comissão mista, composta por 12 deputados e 12 senadores, que discutiam e aprovavam os projetos, que só então era enviado ao plenário.

Esse rito foi interrompido durante a pandemia da Covid-19, como uma medida excepcional, quando as MPs passaram a ir direto ao plenário. Dessa forma, é o presidente da Câmara quem dita as prioridades e o ritmo das análises. O Senado, neste modelo, perdeu o protagonismo.

Em 7 de fevereiro, o Senado decidiu pela volta imediata das comissões mistas. No entanto, nos bastidores, Lira tem feito uma queda de braço para manter as apreciações no plenário.

Em meio à disputa, a votação de propostas importantes no Congresso fica comprometida. São 25 medidas provisórias que precisam ser analisadas em 120 dias para que não percam a validade. Entre elas, a que alterou a organização ministerial, a que transferiu a estrutura do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Banco Central para o Ministério da Fazenda e a que alterou a regra de desempate de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

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Tópicos: ARTHUR LIRA, CÂMARA DOS DEPUTADOS, RODRIGO PACHECO, SENADOR

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