Oficina do Wildfire Brasil 2019 apresenta resultados obtidos através do Manejo Integrado do Fogo
A analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ana Carolina Sena Barradas, fez um contraponto apresentando várias pesquisas que afirmam a importância do fogo para o Cerrado e a necessidade da implantação da política do fogo zero, e logo em seguida expôs os resultados das mudanças na quantidade de focos de queimadas após a implementação do MIF na região da Serra Geral, localizada no Tocantins, que possui savanas tropicais com características comuns de gramíneas e apresentavam altos índices de focos de calor. Com o passar dos anos houve o processo de mudança desse paradigma e a anuência de outras opções que auxiliaram no rompimento das barreiras institucionais, facilitando a implementação do MIF.

Segundo a palestrante, “abordar o Manejo Integrado do Fogo envolve a comunidade e o poder público principalmente nas articulações das variadas estratégias. Essa implementação gera um ganho, principalmente em valores que seriam disponibilizados para o combate e acabam sendo economizados, além do desgaste dos brigadistas que são as frentes que vão para o combate direto das queimadas”. Ana Carolina completou ainda que “os resultados são satisfatórios quando se observa o mapa da região nos anos 2013 e 2014, antes da adesão da técnica, e o mais recente nos anos 2017 e 2018 após o uso do MIF”.
A redução do tamanho dos grandes incêndios, a mudança da sazonalidade do fogo e o aumento da participação social, principalmente dos povos tradicionais, foram os benefícios que o MIF trouxe para região, que possui mais de mil nascentes costumeiramente utilizadas por essas populações. O indígena Rubens Aquino Ferraz, brigadista na terra indígena Kadiweu/Aldeia Alves de Barros Brasil, ressaltou que “após a implantação da queima prescrita as comunidades indígenas estão aceitando cada vez mais essa modalidade e buscam entender como é o funcionamento da técnica. Quando os outros povos procuram informações sobre o MIF, entendem que tem um pessoal empenhado em promover o bem de todos e proteger o nosso ambiente”.
No final da oficina foi destinado um espaço aos participantes para colocarem suas ideias e partilharem as experiências alcançadas através da implementação do MIF em suas regiões. Muitas dúvidas também foram sanadas pela palestrante em relação à forma de iniciar os trabalhos do MIF, principalmente sobre as estratégias que devem ser adotadas no processo de mudança.
Tocantins
O Tocantins enviou uma delegação de servidores da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Defesa Civil e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para representar o estado no encontro. Ao todo 46 técnicos ligados à temáticas ambientais estão conhecendo e aprimorando os métodos de combate e prevenção a incêndios que foram aplicados em outros estados e países.
