Cabeleireiro diz ter sido vítima de racismo dentro de igreja no Brás
Nas últimas semanas, o cabeleireiro Jonas de Freitas, que foi vítima de racismo dentro da Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdomiro Santiago, em outubro de 2020, viveu uma verdadeira luta judicial contra a igreja para receber uma indenização por danos morais após o episódio que comoveu o país.
O fiel negro que lutava pela igualdade e pela sua raça, onde infelizmente cresce cada vez mais o número de atos contra negros no Brasil. Ele pediu à justiça uma indenização de R$ 80 mil, porém o juiz Guilherme Ferreira da Cruz, da 45ª Vara Cível Central de São Paulo, condenou a Igreja Mundial pagar somente R$ 5 mi, onde gerou revolta de Jonas e todos os negros que acompanham o caso.

“Estou muito triste e revoltado. Fui humilhado dentro da Igreja que sempre fui fiel e dedicado apenas por causa da cor da minha pele. Esse valor de 5 mil reais é muito pouco para um dano tão grande. Minha dignidade como negro foi ferida”, disse o cabelereiro Jonas de Freitas, que disse que a justiça não é justa no Brasil.
RELEMBRE O EPISÓDIO
Segundo Jonas, em outubro de 2020, entrou em um templo da igreja Mundial no Brás, em São Paulo, ajoelhou-se, ergueu os braços para o alto, fechou os olhos e começou a rezar, até que foi interpelado de modo grosseiro e ostensivo por três seguranças do templo. Os seguranças, de acordo com o cabeleireiro, alegaram ter recebido uma denúncia e que ele era “suspeito”, tomaram a sua mochila e despejaram todo o conteúdo no chão, na frente dos demais fiéis.
Em sua defesa, a Igreja Mundial disse que houve uma denúncia contra o fiel, que a abordagem foi realizada respeitosamente e que o cabeleireiro não passou por nenhum tipo de constrangimento. “A Igreja prega a inclusão social, não havendo o que se falar em distinção de pessoas dentro de seu templo”, declarou à Justiça por meio de seus advogados. A igreja se comprometeu a entregar um vídeo à Justiça com as imagens da situação, mas não o fez.
