Durante o Julho Amarelo, o HDT-UFNT reforça a importância da prevenção, vacinação e testagem para combater as hepatites virais. Entre 2000 e 2024, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados da doença.
Hepatites virais já somam mais de 826 mil casos no Brasil
Sintomas como pele amarelada, cansaço persistente, perda de apetite, náuseas e diarreia podem parecer sinais de problemas comuns de saúde. No entanto, também podem indicar hepatites virais, infecções que atingem o fígado e, em alguns casos, podem provocar complicações graves e levar à morte.
Entre 2000 e 2024, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, registrou 826.292 casos confirmados de hepatites virais no Brasil.
Diante desse cenário, o Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a doença, reforça a importância da prevenção, da vacinação e do diagnóstico precoce.
Por isso, o Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à Rede HU Brasil, destaca os cuidados necessários para prevenir os cinco principais tipos de hepatite viral: A, B, C, D e E.
Prevenção depende do tipo de hepatite
De acordo com a médica residente em infectologia do HDT-UFNT/HU Brasil, Gislayne Guedes, as formas de prevenção variam conforme o vírus responsável pela infecção.
Ainda assim, algumas medidas ajudam a reduzir os riscos. Entre elas estão manter a vacinação contra as hepatites A e B em dia, usar preservativo nas relações sexuais e não compartilhar objetos perfurocortantes.
Além disso, a médica recomenda atenção a procedimentos como tatuagens e piercings. Nesses casos, os profissionais devem utilizar materiais esterilizados para evitar o contato com sangue contaminado.
Da mesma forma, manter bons hábitos de higiene, consumir água e alimentos seguros e realizar testes quando houver fatores de risco também contribuem para a prevenção.
“Outras formas de prevenir essas infecções é usar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes, como agulhas, alicates e lâminas, e garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados com material esterilizado. Também é importante manter bons hábitos de higiene, consumir água e alimentos seguros e realizar a testagem quando houver fatores de risco”, afirma Gislayne.
Conheça as diferenças entre os cinco tipos
Embora todas as hepatites virais afetem o fígado, cada tipo apresenta formas diferentes de transmissão, evolução e tratamento.
Hepatite A (HAV): ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do consumo de água ou alimentos contaminados. Em geral, apresenta evolução benigna. Entretanto, em casos raros, pode evoluir de forma grave, com necessidade de internação e até transplante de fígado. Não existe tratamento específico, por isso os profissionais adotam medidas de suporte.
Hepatite B (HBV): pode ocorrer por meio de relações sexuais, contato com sangue contaminado e compartilhamento de objetos perfurocortantes. Além disso, a mãe pode transmitir o vírus ao bebê durante o nascimento. A infecção pode se tornar crônica e provocar cirrose ou câncer de fígado. O tratamento controla a doença e o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece os medicamentos.
Hepatite C (HCV): ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, embora também possa ocorrer por transmissão sexual. A doença apresenta alta taxa de cronificação, que varia de 60% a 85% dos casos. Por outro lado, os tratamentos disponíveis no SUS apresentam taxas de cura próximas de 100%.
Hepatite D (HDV): também pode ocorrer por meio do contato com sangue contaminado. Entretanto, o vírus D depende da presença do vírus da hepatite B para se replicar. Portanto, a vacinação contra a hepatite B também ajuda a prevenir a hepatite D.
Hepatite E (HEV): apresenta transmissão principalmente pela via fecal-oral e tem ocorrência menos frequente no Brasil. Em geral, a infecção desaparece espontaneamente. Porém, pode provocar quadros graves em gestantes e se tornar crônica em pessoas imunossuprimidas.
Diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações
Um dos principais desafios no combate às hepatites virais está no caráter silencioso da doença. Isso acontece porque muitos pacientes não apresentam sintomas durante as fases iniciais da infecção.
Como resultado, algumas pessoas demoram para procurar atendimento médico e acabam descobrindo a doença somente quando surgem complicações.
Por isso, Gislayne Guedes orienta que pessoas com sintomas procurem uma unidade de saúde para avaliação e realização de exames. Além disso, mesmo quem não apresenta sinais da doença deve considerar a testagem quando houver fatores de risco.
“Ao apresentar sintomas a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e realização de exames. Vale lembrar que muitas hepatites não causam sintomas, por isso a testagem também é importante.”
O tratamento, por sua vez, depende do tipo de hepatite. Enquanto algumas infecções exigem apenas medidas de suporte, outras, como as hepatites B, C e D, podem demandar acompanhamento especializado e medicamentos específicos.
Assim, o diagnóstico precoce tem papel fundamental. Além de aumentar as chances de controle da doença, a identificação da infecção ajuda a evitar complicações e a interromper possíveis cadeias de transmissão.
Vacinação protege contra hepatites A e B
A vacinação representa uma das principais estratégias para prevenir as hepatites virais. Atualmente, o SUS oferece gratuitamente a vacina contra a hepatite A para crianças de até 5 anos incompletos e grupos considerados de risco.
Já a vacina contra a hepatite B faz parte do calendário básico de imunização. A primeira dose deve ser aplicada ainda na maternidade. Além de proteger contra a hepatite B, a imunização também contribui para prevenir a hepatite D, já que o vírus D depende da presença do vírus B.
Por outro lado, ainda não existe vacina disponível para prevenir a hepatite C. Nesse caso, a prevenção depende principalmente de medidas que evitem o contato com sangue contaminado e de outras formas de transmissão.
Sobre o HDT-UFNT
O Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins integra a Rede HU Brasil desde 2015.
A rede surgiu a partir da Lei nº 12.550/2011 e está vinculada ao Ministério da Educação (MEC). A estatal recebeu inicialmente o nome oficial de Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Atualmente, a instituição administra 47 hospitais universitários federais distribuídos por 25 unidades da federação.
Redatora freelance para o portal Surgiu, com atuação em produção, edição e gestão de conteúdo. Possui domínio de ferramentas de criação, revisão e publicação de textos, com foco em qualidade, clareza e engajamento.