Novo comprimido reduz colesterol ruim e amplia opções de tratamento

A FDA aprovou um novo comprimido para reduzir o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. O medicamento atua sobre a proteína PCSK9 e pode ampliar o acesso ao tratamento de pacientes com alto risco cardiovascular.
Um novo comprimido para reduzir colesterol ruim acaba de ganhar aprovação da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos equivalente à Anvisa no Brasil. Além de representar um avanço no tratamento do colesterol alto, o medicamento pode ampliar o acesso a uma das terapias mais eficazes para reduzir o colesterol LDL, principal fator de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Desenvolvido pela farmacêutica Merck, o medicamento enlicitide, que será comercializado com o nome Lipfendra, demonstrou em estudos clínicos capacidade de reduzir o colesterol LDL para níveis entre 50 e 60 mg/dL, podendo alcançar valores ainda menores em alguns pacientes.
Como o medicamento age no organismo
O novo comprimido bloqueia a proteína PCSK9, mecanismo já utilizado por medicamentos injetáveis disponíveis no mercado. No entanto, o Lipfendra oferece uma alternativa oral de uso diário, o que pode facilitar a adesão ao tratamento.
Além disso, o custo também tende a ser menor. Segundo a Merck, o preço de tabela será de US$ 315 para 30 dias de tratamento. Em comparação, os medicamentos injetáveis da mesma classe custam entre US$ 500 e US$ 600 por mês.
Diretrizes recomendam controle rigoroso do LDL

As diretrizes da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC) recomendam que pessoas com alto risco cardiovascular mantenham o colesterol LDL abaixo de 70 mg/dL. Já pacientes que sofreram infarto ou apresentam risco muito elevado devem atingir níveis inferiores a 55 mg/dL.
Segundo o médico nutrólogo Dr. José Israel Sanchez Robles, a aprovação representa um avanço importante, principalmente para pacientes que não conseguem atingir essas metas apenas com estatinas.
“O controle adequado do colesterol LDL continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares. Quanto maior o risco cardiovascular do paciente, mais rigorosa deve ser a meta para os níveis de LDL.”
Estudo aponta redução de até 60%
Um estudo clínico acompanhou 2.912 participantes durante 24 semanas. Ao final da pesquisa, o Lipfendra reduziu os níveis de LDL em até 60%, sem aumento significativo de efeitos adversos quando comparado ao placebo.
Além disso, os resultados ficaram semelhantes aos observados com os medicamentos injetáveis que também atuam sobre a proteína PCSK9.
Tratamento não substitui hábitos saudáveis

Apesar dos avanços da medicina, especialistas reforçam que o medicamento não substitui mudanças no estilo de vida.
“Mesmo com terapias cada vez mais modernas, uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o controle do peso e o abandono do tabagismo continuam sendo pilares indispensáveis para reduzir o risco cardiovascular”, destaca o Dr. José Israel.
Comprimido pode aumentar adesão ao tratamento
Atualmente, poucos pacientes elegíveis utilizam os inibidores da PCSK9. Isso acontece principalmente devido ao alto custo, à cobertura limitada dos planos de saúde e à necessidade de aplicações injetáveis.
Por isso, o especialista acredita que a versão em comprimido pode melhorar a continuidade do tratamento.
“Muitos pacientes abandonam ou evitam tratamentos injetáveis por questões de custo, praticidade ou receio das aplicações. Uma opção oral pode facilitar o uso contínuo e melhorar a adesão ao tratamento.”
Enquanto isso, a Merck conduz novos estudos para verificar se o medicamento oral oferece a mesma redução de infartos, AVCs e mortes cardiovasculares já comprovada pelos inibidores injetáveis da PCSK9.
Por fim, o médico reforça que a escolha do tratamento deve sempre considerar as características individuais de cada paciente.
“O surgimento de novas terapias amplia as possibilidades de tratamento, mas a escolha deve sempre ser individualizada e feita pelo médico, considerando o perfil clínico, o risco cardiovascular e os objetivos terapêuticos de cada paciente.”
