Médico brasileiro cria ‘Teoria do Polvo’ para explicar as dores causadas pela endometriose

Após anos de estudos, o médico brasileiro Igor Chiminacio desenvolveu a “Teoria do Polvo”, um modelo visual que explica como a endometriose pode provocar dores em diferentes regiões do corpo. A proposta traduz conceitos anatômicos complexos para uma linguagem acessível e pode contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
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A Teoria do Polvo para endometriose foi criada pelo ginecologista especialista em endometriose profunda e cirurgia minimamente invasiva Dr. Igor Chiminacio.
Segundo o médico, o modelo utiliza uma representação visual da anatomia da pelve feminina para explicar como a doença pode provocar dores em diferentes partes do corpo.
Na ilustração, o útero representa a cabeça do polvo. Além disso, os tecidos que sustentam esse órgão, chamados de paramétrios, funcionam como os tentáculos.
De acordo com o especialista, esses tecidos concentram vasos sanguíneos, nervos e estruturas importantes. Por isso, quando a endometriose atinge essa região, a dor pode irradiar para diversos locais do organismo.
Modelo ajuda mulheres a reconhecer sintomas além da cólica
Segundo Dr. Igor Chiminacio, durante muitos anos a endometriose foi explicada apenas pelos focos visíveis da doença.
No entanto, ele destaca que o comprometimento dos tecidos profundos também influencia diretamente os sintomas apresentados pelas pacientes.
“O tecido onde esses focos surgem é o que transmite a dor para nervos, músculos e outras estruturas da pelve. Quando a paciente entende esse conceito, ela também entende por que sente dor em locais tão diferentes do corpo.”
Além das cólicas intensas, mulheres com endometriose podem apresentar dores nas costas, na lombar, na virilha, nas pernas e no quadril.
Da mesma forma, também podem ocorrer dores durante as relações sexuais, ao evacuar, ao urinar e até durante atividades físicas.
Diagnóstico da endometriose ainda demora anos

A Teoria do Polvo para endometriose também pretende contribuir para um diagnóstico mais rápido da doença.
Segundo estimativas citadas pelo especialista, muitas mulheres convivem entre oito e dez anos com sintomas antes de receberem o diagnóstico correto.
Durante esse período, muitas pacientes passam por diferentes especialistas e realizam diversos exames.
Além disso, parte delas ainda ouve que a dor faz parte do ciclo menstrual, o que pode atrasar o início do tratamento.
“Quando a mulher entende onde está a origem da dor, ela consegue descrever melhor seus sintomas. Isso ajuda no raciocínio clínico e pode contribuir para um diagnóstico mais precoce.”
Teoria também auxilia profissionais da saúde
Além de facilitar a comunicação com as pacientes, a teoria também vem sendo utilizada em apresentações científicas e atividades de ensino para profissionais da saúde.
Segundo Dr. Igor Chiminacio, a proposta reforça a importância de analisar toda a anatomia da pelve durante a investigação da endometriose, e não apenas os focos superficiais da doença.
Por isso, compreender o funcionamento dessas estruturas pode contribuir para tratamentos mais individualizados.
O especialista orienta que mulheres procurem avaliação médica sempre que apresentarem cólicas incapacitantes, dor pélvica persistente, dor durante as relações sexuais, ao evacuar ou urinar, dores relacionadas ao ciclo menstrual na lombar, virilha, quadril ou pernas, além de dificuldade para engravidar.
Segundo ele, quanto mais cedo esses sintomas forem investigados, maiores são as chances de diagnóstico precoce, tratamento adequado e preservação da qualidade de vida e da fertilidade.
