Pesquisadores descreveram uma nova espécie de cobra pré-histórica encontrada no interior de São Paulo. Batizada de Tametara mirim, ela viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás e apresenta características que ajudam a compreender como ocorreu a evolução das primeiras serpentes.
Uma descoberta feita no interior de São Paulo pode ajudar a esclarecer um dos maiores mistérios sobre a evolução das serpentes. Pesquisadores identificaram uma nova espécie de cobra pré-histórica, batizada de Tametara mirim, que viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás e apresentava adaptações para viver no subsolo.
O estudo foi publicado nesta quarta-feira (22) na revista científica Nature e destaca a importância do fóssil encontrado em um sítio paleontológico de Presidente Prudente, no oeste paulista.
O exemplar chamou a atenção dos pesquisadores pelo excelente estado de conservação. Diferentemente da maioria dos fósseis de serpentes encontrados no Brasil, o material preservou parte do crânio e mais de uma centena de vértebras conectadas entre si.
Além disso, os ossos permaneceram preservados em três dimensões, permitindo análises muito mais detalhadas da anatomia do animal.
Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro fóssil articulado de cobra já identificado no Brasil.
Tecnologia revelou detalhes do cérebro
Para investigar o fóssil sem causar danos, a equipe utilizou exames de microtomografia, técnica que produz imagens tridimensionais semelhantes a um raio-X.
Dessa forma, os cientistas reconstruíram digitalmente a região ocupada pelo cérebro e compararam essas informações com espécies fósseis e serpentes atuais.
A análise indicou que a Tametara mirim pertence a uma linhagem bastante antiga e possuía adaptações compatíveis com a vida debaixo da terra.
Descoberta amplia conhecimento sobre as primeiras cobras
Durante muitos anos, pesquisadores discutiram se as primeiras cobras surgiram a partir de ancestrais marinhos ou de animais adaptados a cavar o solo.
No entanto, o novo estudo aponta para um cenário mais complexo. Em vez de uma única origem ecológica, as primeiras linhagens de serpentes já ocupavam diferentes ambientes, incluindo o subsolo, a superfície e regiões aquáticas.
Além disso, os pesquisadores concluíram que esses animais apresentavam uma diversidade anatômica e neurológica maior do que se imaginava.
Pesquisa brasileira pode abrir novos caminhos
Um dos autores do estudo, o professor Tiago Simões, da Universidade de Princeton, destacou a importância da descoberta para a paleontologia brasileira.
Segundo ele, participar de uma pesquisa sobre a origem das serpentes sempre foi um objetivo pessoal, e encontrar um fóssil tão relevante em território brasileiro torna o trabalho ainda mais significativo.
Apesar do avanço, os cientistas afirmam que ainda existem muitas lacunas sobre a evolução das cobras. Como esses animais provavelmente surgiram no período Jurássico, dezenas de milhões de anos antes da Tametara mirim, a busca por fósseis mais antigos continua sendo uma prioridade.
Além disso, futuras pesquisas deverão combinar informações obtidas nos fósseis com dados genéticos de cobras e lagartos atuais. O objetivo é compreender como características marcantes das serpentes, como a perda dos membros e as mudanças no sistema sensorial, surgiram ao longo da evolução.
Redator freelance para o portal Surgiu, com atuação em produção, edição e gestão de conteúdo. Possui domínio de ferramentas de criação, revisão e publicação de textos, com foco em qualidade, clareza e engajamento.