Por que cientistas colocaram mochilas minúsculas em pombos? Estudo revela descoberta surpreendente

Pesquisadores usaram câmeras e sensores para entender como as aves enxergam durante o voo e descobriram um comportamento até então desconhecido
Os pombos ganharam mochilas minúsculas e pequenas câmeras na cabeça para ajudar cientistas a desvendar um mistério sobre o voo dessas aves. O experimento revelou que elas movimentam os olhos durante o voo, comportamento que surpreendeu os pesquisadores e pode inspirar o desenvolvimento de drones mais inteligentes.
Além disso, o estudo mostrou que os pombos utilizam a visão de forma muito mais sofisticada do que se imaginava.
Mochilas carregavam câmeras e um pequeno computador
A equipe equipou mais de uma dezena de pombos com pequenas mochilas que pesavam cerca de 27 gramas.
Os equipamentos incluíam uma câmera presa à cabeça da ave por meio de um pequeno capuz. Além disso, os pesquisadores instalaram sensores de movimento, instrumentos de orientação e um computador em miniatura para registrar todas as informações durante o voo.
Dessa forma, os cientistas conseguiram observar exatamente como os olhos das aves se comportavam enquanto elas voavam.
Descoberta desafia antiga teoria
Antes da pesquisa, especialistas acreditavam que aves com olhos posicionados nas laterais da cabeça mantinham a visão praticamente imóvel durante o voo.
No entanto, os registros mostraram outro comportamento.
Os pombos realizam movimentos lentos e discretos com os olhos enquanto voam. Segundo os pesquisadores, essas pequenas mudanças ajudam as aves a identificar detalhes do ambiente e melhoram a percepção durante a navegação.
Além disso, esse mecanismo pode facilitar a identificação de obstáculos e referências visuais.
Pombos também mudam a visão ao pousar

Os cientistas observaram outro comportamento curioso.
Pouco antes do pouso, os pombos direcionam os olhos para dentro.
Consequentemente, eles conseguem utilizar um mecanismo chamado estereopsia, que permite calcular melhor a profundidade ao combinar as imagens captadas por cada olho.
Até então, pesquisadores haviam registrado esse tipo de estratégia principalmente em algumas aves de rapina.
Descoberta pode melhorar drones
Os resultados do estudo também chamaram a atenção da área da robótica.
Hoje, muitos drones utilizam câmeras fixas para calcular velocidade, direção e possíveis obstáculos.
Entretanto, os pombos fazem muito mais do que isso. Ao movimentarem os olhos, eles coletam informações adicionais sobre o ambiente, tornando a navegação mais eficiente.
Por isso, os pesquisadores acreditam que futuras aeronaves autônomas poderão adotar estratégias semelhantes para voar com mais precisão em ambientes complexos.
Pesquisa amplia conhecimento sobre a visão das aves
Segundo os autores, compreender como os pombos utilizam a visão durante o voo também ajuda a entender melhor o funcionamento da percepção visual em outros animais, incluindo os seres humanos.
Além disso, os resultados podem contribuir para novas tecnologias em robótica, inteligência artificial e navegação autônoma.
O estudo foi publicado na revista científica Current Biology e reforça que ainda existem muitos aspectos do comportamento animal que permanecem pouco conhecidos pela ciência.
