Arquipélago no Rio Tocantins impressiona pela beleza e tem origem explicada por geólogo da UFT

O Arquipélago do Tropeço, localizado no Rio Tocantins, no município de Peixe, no sul do estado, tem chamado a atenção de moradores e turistas pela beleza de suas dezenas de ilhas e canais naturais. Imagens registradas por Guilherme Mendes durante a temporada de praia destacam a paisagem, considerada uma das mais impressionantes da região.
Segundo o professor de Geologia Geral e Geomorfologia da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Fernando de Morais, a formação do arquipélago é resultado de um fenômeno geológico conhecido como controle estrutural, que alterou o curso natural do rio ao longo de milhares de anos.
Rochas mudaram o caminho do Rio Tocantins
De acordo com o pesquisador, o trecho faz parte da região conhecida como Alto Tocantins, onde as estruturas geológicas exercem forte influência sobre o relevo e o comportamento das águas.
Segundo ele, o Rio Tocantins encontrou, nesse ponto, formações rochosas mais resistentes e intensamente fraturadas, obrigando o fluxo da água a se dividir em diversos canais. Esse processo deu origem ao conjunto de ilhas que forma o arquipélago.
“O rio tende a seguir sempre para as áreas mais baixas do relevo. Porém, quando encontra estruturas geológicas mais resistentes, ele precisa desviar seu caminho. Esse controle estrutural interfere diretamente na direção e no comportamento do fluxo das águas”, explicou Fernando de Morais.
Formação é rara no curso do rio
O geólogo destaca que esse tipo de configuração não é comum ao longo do Rio Tocantins. Segundo ele, basta comparar os trechos localizados antes e depois da região de Peixe para perceber que o rio volta a apresentar um único canal principal.
No Arquipélago do Tropeço, entretanto, o rio assume um padrão chamado de entrelaçado, no qual o fluxo principal se fragmenta em vários braços, formando dezenas de ilhas naturais.
“A diferença é que essa estrutura geológica, por ser muito fraturada, acabou gerando várias ilhotas. O fluxo principal do rio ficou fragmentado em fluxos secundários, formando esse conjunto de canais e ilhas que observamos hoje”, afirmou.
Paisagem é reflexo da geologia do sul do Tocantins
Segundo Fernando de Morais, as mesmas formações geológicas responsáveis pelo arquipélago também ajudam a explicar outras paisagens naturais do sul do Tocantins, como cachoeiras, serras e paredões rochosos.
Para o professor, a diversidade do relevo da região está diretamente ligada à variedade de rochas e às antigas deformações geológicas existentes no estado.
“Essa paisagem reflete a diversidade geológica do Tocantins. É por isso que o sul do estado apresenta tantas formas de relevo expressivas, cachoeiras e cenários naturais diferenciados”, destacou.
