Grupo diz que medida busca facilitar transição administrativa, mas impasse sobre desarmamento continua nas negociações
O Hamas anunciou a dissolução do órgão responsável pela administração civil da Faixa de Gaza, encerrando uma estrutura que governava o território desde 2007. Com isso, o grupo afirma abrir espaço para que um comitê de tecnocratas assuma a gestão dos serviços públicos durante a transição política.
A mudança ocorre em meio às negociações de cessar-fogo entre Israel e o Hamas. No entanto, o futuro da Faixa de Gaza ainda depende de questões consideradas centrais pelas partes envolvidas, especialmente o desarmamento do grupo palestino.
Desde 2007, após assumir o controle da Faixa de Gaza, o Hamas passou a administrar diversos serviços públicos do território.
Entre as responsabilidades estavam a gestão de hospitais, escolas, coleta de lixo, arrecadação de impostos e parte da estrutura administrativa local.
Agora, segundo o anúncio oficial, o chefe do Comitê de Emergência do governo, Mohammed al-Farra, apresentou sua renúncia e confirmou a dissolução do órgão para facilitar a transferência administrativa ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).
Comitê técnico deverá assumir a administração
O NCAG é formado por técnicos e especialistas sem atuação político-partidária direta.
Segundo o plano divulgado, o comitê deverá administrar os serviços civis enquanto a população continua recebendo atendimento nas áreas essenciais.
Além disso, funcionários públicos que atuam em hospitais e outros serviços básicos permanecerão em seus cargos para evitar interrupções durante a transição administrativa.
Desarmamento continua sendo principal obstáculo
Apesar da mudança administrativa, o Hamas não informou que entregará seu arsenal militar.
Por isso, Israel mantém a exigência de que o grupo seja completamente desarmado antes de aceitar uma solução definitiva para Gaza. O governo dos Estados Unidos também declarou que a transição somente será considerada completa quando houver uma única autoridade civil e controle unificado sobre as armas no território.
Enquanto isso, representantes do Hamas afirmam que a saída da administração civil busca reduzir a crise humanitária e retirar obstáculos políticos às negociações. Ainda assim, as conversas permanecem sem consenso.
Transição ainda enfrenta desafios
Especialistas avaliam que a dissolução do governo civil representa uma mudança política relevante após quase duas décadas de administração do Hamas.
Entretanto, a efetiva transferência de poder dependerá da implementação do acordo, da atuação do NCAG dentro da Faixa de Gaza e da evolução das negociações entre Israel, Hamas, Estados Unidos e demais mediadores internacionais.
Como o governo do Hamas foi alvo de críticas
Ao longo dos quase 20 anos em que administrou a Faixa de Gaza, o Hamas enfrentou críticas de organizações internacionais, governos e parte da população local pela forma como conduziu o território.
Restrições às liberdades civis, a repressão contra opositores políticos, denúncias de prisões arbitrárias e limitações à liberdade de expressão. Organizações de direitos humanos também relataram casos de tortura contra detidos e perseguição a jornalistas e ativistas.
Além disso, diversos países acusam o Hamas de direcionar recursos para sua estrutura militar enquanto parte da população enfrentava dificuldades relacionadas ao acesso a serviços públicos, emprego e infraestrutura.
Enquanto isso, o grupo também foi criticado por utilizar áreas urbanas para operações militares, o que, segundo Israel e diversos governos ocidentais, aumentava os riscos para os civis durante os confrontos.
Por outro lado, o Hamas afirma que a grave crise humanitária em Gaza resulta principalmente do bloqueio imposto por Israel e Egito, das sucessivas guerras e da destruição da infraestrutura do território.
Redator freelance para o portal Surgiu, com atuação em produção, edição e gestão de conteúdo. Possui domínio de ferramentas de criação, revisão e publicação de textos, com foco em qualidade, clareza e engajamento.