Adeus, Tabela Fipe? Nova proposta quer cobrar IPVA pelo peso do carro; veja quem paga mais

O modelo de cobrança do IPVA no Brasil pode passar por uma reviravolta histórica em breve.
Atualmente, o Congresso Nacional discute uma proposta que pretende mudar a base de cálculo do imposto: em vez de considerar o valor de mercado do veículo (Tabela Fipe), o critério principal passaria a ser o peso do automóvel.
Se aprovada, a medida alterará diretamente o planejamento financeiro de milhões de motoristas em 2026.
A lógica por trás do projeto defende que veículos mais pesados causam um desgaste maior na infraestrutura rodoviária e, por consequência, devem contribuir com valores mais altos para a manutenção das vias públicas.
Quem ganha e quem perde com a nova regra?
A mudança no cálculo cria dois grupos bem distintos de motoristas.
De um lado, os donos de carros populares podem ver o boleto do imposto encolher, enquanto proprietários de modelos robustos ou tecnológicos devem preparar o bolso.
Veículos que devem pagar menos
A proposta beneficia diretamente os modelos de entrada, conhecidos pela leveza e economia.
Como possuem menor massa, esses carros impactam menos o asfalto. Entre os exemplos que teriam redução no tributo estão:
Renault Kwid: (aprox. 820 kg);
Fiat Mobi: (entre 907 kg e 969 kg);
Chevrolet Onix: (entre 1.049 kg e 1.102 kg).
Veículos que devem pagar mais
Por outro lado, SUVs, carros de luxo e até modelos elétricos enfrentariam aumentos.
No caso dos eletrificados, o peso das baterias eleva consideravelmente a massa total do veículo.
O sedã elétrico BYD Seal, por exemplo, pesa cerca de 2.150 kg, o que poderia elevar o seu IPVA proporcionalmente.
O mesmo vale para SUVs populares como o Jeep Compass, que também integra a lista dos “pesados”.
O “teto” de cobrança para proteger o motorista
Para evitar que o imposto atinja valores astronômicos em carros de luxo muito pesados, o texto da proposta estabelece um limite de segurança.
De acordo com o portal Vrum, o valor do IPVA não poderá ultrapassar 1% do valor venal (valor de mercado) do veículo.
Esse teto funciona como uma trava para garantir que o tributo não se torne abusivo, independentemente do peso em ordem de marcha.
O que muda na prática em 2026?
Atualmente, o IPVA prioriza o valor do bem, que diminui conforme o carro envelhece.
Com a nova regra, o foco passa a ser uma característica física permanente: o peso. Isso significa que:
Carros antigos e pesados: Podem parar de ter reduções significativas no imposto, já que o peso não muda com o tempo.
Carros novos e leves: Tendem a ter uma carga tributária menor desde o primeiro ano de uso.
Incentivos Ambientais: A proposta também abre caminho para que o governo crie descontos adicionais para veículos menos poluentes, influenciando a decisão de compra no mercado nacional.
Próximos passos no Congresso
Apesar do impacto visual da proposta, o projeto ainda cumpre as etapas de tramitação no Congresso Nacional. Antes de virar lei e chegar aos Detrans estaduais, o texto precisa de aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Se o projeto avançar sem alterações, os motoristas brasileiros enfrentarão a maior reforma tributária automotiva das últimas décadas.
