Irã rejeita nova rodada de negociações com os EUA e eleva tensão antes do fim do cessar-fogo

O Irã rejeitou participar de uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos, prevista para começar na segunda-feira (20), no Paquistão. A decisão foi divulgada neste domingo (19) e acontece a poucos dias do fim do cessar-fogo temporário entre os dois países, previsto para quarta-feira (22).
Segundo a imprensa estatal iraniana, Teerã acusa Washington de apresentar exigências consideradas excessivas, irracionais e pouco realistas. O governo iraniano também afirma que os Estados Unidos vêm adotando posições contraditórias e desrespeitando o entendimento firmado na trégua.
Mais cedo, o presidente Donald Trump afirmou que uma delegação americana deve seguir para o Paquistão para uma nova tentativa de negociação com o Irã. Ao mesmo tempo, ele voltou a elevar o tom contra Teerã e ameaçou atingir estruturas estratégicas do país caso um acordo não seja fechado.
A nova crise surge em meio a sinais opostos entre os dois lados. Nos últimos dias, autoridades iranianas indicaram que houve avanços parciais nas conversas, mas admitiram que ainda existem divergências importantes, sobretudo sobre questões nucleares e sobre o Estreito de Ormuz.
Já Trump vinha afirmando que um acordo estava próximo. Mesmo assim, a recusa iraniana em retomar as conversas mostra que o cenário segue instável e cercado por desconfiança.
O Estreito de Ormuz, aliás, voltou ao centro da tensão regional. Depois de anunciar a reabertura total da rota na sexta-feira (17), o Irã recuou e informou que a passagem seria novamente fechada por causa do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
A medida reacendeu a preocupação internacional porque a rota é estratégica para o transporte global de petróleo e de outros insumos importantes. Qualquer restrição no estreito provoca impacto imediato no mercado e amplia o temor de crise econômica.
Ainda segundo os relatos mais recentes, forças iranianas dispararam contra embarcações que tentavam cruzar a área, enquanto outros navios teriam sido obrigados a recuar. O episódio aumentou a pressão sobre as negociações e reforçou o risco de uma nova escalada militar.
Com isso, a expectativa por uma saída diplomática perdeu força às vésperas do fim do cessar-fogo. A recusa do Irã em retomar as conversas amplia a incerteza sobre os próximos passos e mantém a região em alerta.
