Falsa médica: morte de paciente gera mistério e ainda deixa perguntas sem resposta em Guaraí TO

Falsa médica: morte de paciente gera mistério e ainda deixa perguntas sem resposta em Guaraí TO
As apurações sobre a morte de Euzébio Correia da Silva, aos 86 anos, continuam em andamento mesmo após quase cinco anos. Ele foi atendido por uma suposta médica falsa em 2021, durante a pandemia de Covid-19, em Guaraí, no norte do Tocantins.
O governo do estado foi condenado duas vezes pela Justiça do Tocantins a pagar indenizações aos filhos da vítima. Na decisão mais recente, ficou entendido que o Estado falhou ao não comprovar que adotou medidas para verificar a qualificação profissional da pessoa que realizou os procedimentos médicos.
Qual foi o valor da indenização?
O Estado deverá pagar R$ 20 mil a um dos filhos da vítima. Anteriormente, em janeiro de 2025, a Justiça já havia determinado o pagamento de R$ 100 mil para outros cinco filhos de Euzébio.
A família só tomou conhecimento de que o idoso estava sendo atendido por uma falsa médica depois que o nome dela apareceu em uma reportagem apontando sua atuação ilegal. Diante disso, os filhos ingressaram na Justiça buscando reparação pelos danos sofridos pelo pai.
Por que o Estado foi responsabilizado?
A decisão judicial considerou que o governo não comprovou ter verificado se a profissional possuía formação em medicina e registro no Conselho Regional de Medicina, permitindo que uma pessoa sem qualificação realizasse procedimentos invasivos.
Quem é a falsa médica?
De acordo com a direção do hospital, a mulher, cuja identidade não foi divulgada, apresentou um documento falso afirmando ter formação em medicina no estado de Goiás. Após o registro da ocorrência, a polícia informou que ela também é investigada por crimes semelhantes em outros municípios.
O que ocorreu durante o atendimento?
Euzébio foi diagnosticado com Covid-19 e estava internado no Hospital Regional de Guaraí quando recebeu atendimento da falsa médica.
Segundo o processo, ela realizou uma intubação orotraqueal e tentou estabelecer um acesso venoso que apresentou coagulação. Após os procedimentos, o paciente teve uma taquicardia ventricular e veio a óbito.
O que a Justiça levou em conta?
O juiz destacou a existência de imperícia, já que a pessoa responsável pelo atendimento não possuía diploma em medicina nem registro no Conselho Regional de Medicina. Para a Justiça, a falta de qualificação contribuiu diretamente para a morte do paciente.
Segundo o magistrado, ficou evidente que a falsa médica realizou procedimentos invasivos sem a devida capacitação, o que resultou na morte do idoso.
O inquérito policial foi finalizado?
Ainda não. A Secretaria da Segurança Pública informou que o inquérito está em fase final e é conduzido pela 47ª Delegacia de Polícia de Guaraí, correndo sob sigilo.
O que diz a Secretaria de Saúde?
A Secretaria de Estado da Saúde informou que ainda não foi oficialmente comunicada da decisão judicial. Segundo o órgão, após a notificação, o caso será analisado para adoção das medidas legais e administrativas cabíveis.
Íntegra da nota da SES
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que, até o presente momento, não foi oficialmente intimada acerca da decisão judicial mencionada. Esclarece ainda que, tão logo haja a devida notificação, o caso será analisado pelas áreas competentes para verificação das providências cabíveis.
A SES destaca que os fatos também serão apurados na esfera administrativa, com o objetivo de identificar eventuais responsabilidades. Por fim, a Pasta ressalta que adotará todas as medidas legais pertinentes, inclusive quanto à apuração de responsabilidades de terceiros envolvidos no caso.
