Ex-presidente da Coreia do Sul é condenado à prisão perpétua por envolvimento em insurreição
Um tribunal da Coreia do Sul condenou nesta quinta-feira (19) o ex-presidente Yoon Suk Yeol à prisão perpétua por liderar uma insurreição ao decretar lei marcial no fim de 2024.
A decisão foi anunciada pelo juiz Ji Gwi-yeon, do Tribunal do Distrito Central de Seul. Segundo o magistrado, a medida provocou “enormes custos sociais” e não houve demonstração de arrependimento por parte do réu.
Yoon havia declarado lei marcial em dezembro de 2024, em pronunciamento transmitido em rede nacional. Na ocasião, afirmou que a medida era necessária para combater supostas “forças antiestatais”. A decisão suspendeu o governo civil e colocou o país sob comando militar.

Militares no Parlamento
Durante o julgamento, ficou estabelecido que tropas foram enviadas ao Parlamento com o objetivo de neutralizar opositores políticos. Para o tribunal, a intenção era paralisar a Assembleia Nacional por período prolongado.
A lei marcial foi revertida seis horas após o anúncio, quando parlamentares, com apoio de manifestantes, conseguiram votar em caráter emergencial pela sua suspensão.
O ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun também foi condenado a 30 anos de prisão por participação na crise.
Pena máxima possível
A legislação sul-coreana prevê apenas duas punições para o crime de insurreição: prisão perpétua ou pena de morte. Os promotores chegaram a solicitar a pena capital contra Yoon.
O ex-presidente, de 65 anos, nega irregularidades e afirma que agiu para “proteger a liberdade” diante do que classificou como “ditadura legislativa” da oposição.
A condenação reacende lembranças do período de golpes militares vividos pelo país entre as décadas de 1960 e 1980. A Coreia do Sul é considerada atualmente uma das democracias mais consolidadas da Ásia.
