Pare de culpar o ovo! O verdadeiro ‘assassino’ do seu colesterol é outro
Durante décadas, o ovo foi apontado como um dos principais culpados pelo aumento do colesterol. O argumento parecia lógico: a gema é rica nessa substância, e o excesso dela pode estar ligado a doenças cardiovasculares. Mas estudos recentes mostram que a história não é tão simples assim. O que antes era tratado como ameaça hoje é entendido como um alimento completo e benéfico.
Afinal, o ovo é fonte acessível de proteínas de alta qualidade, vitaminas, minerais e antioxidantes importantes para o organismo. A gema, tão criticada, concentra carotenoides que ajudam na saúde dos olhos, além de colina, essencial para o funcionamento das células. Ou seja, retirar essa parte do prato pode significar perder nutrientes valiosos.
A nutricionista Heloísa Theodoro, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, reforça que o problema não está no ovo em si, mas no excesso e na forma de preparo. Fritar em óleo ou acompanhar com bacon, por exemplo, muda completamente o impacto do alimento no corpo.

Quem é o verdadeiro inimigo do colesterol
Para entender a polêmica, é preciso diferenciar os tipos de colesterol. O LDL, conhecido como “colesterol ruim”, transporta gordura do fígado para outras partes do corpo. Quando está em excesso, pode se acumular nas artérias e aumentar o risco de infarto e AVC. Já o HDL, o “colesterol bom”, faz o caminho inverso, removendo o excesso e levando-o de volta ao fígado para ser eliminado.
De acordo com o endocrinologista Rodrigo Moreira, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, as evidências são claras: quanto mais alto o LDL, maior o risco de doenças cardiovasculares. Mas o ponto crucial é que apenas 15% a 20% do colesterol presente no corpo vem da alimentação. A maior parte é produzida pelo próprio fígado.
O grande vilão, portanto, não é o ovo em si, mas os alimentos ricos em gorduras saturadas e trans presentes em ultraprocessados, frituras, margarina, carnes gordurosas e até alguns produtos industrializados. São esses hábitos que de fato aumentam o colesterol LDL e colocam a saúde em risco, não o simples consumo diário de ovos dentro de uma dieta equilibrada.
Quanto ovo você pode comer sem preocupação
A boa notícia é que, para pessoas saudáveis, incluir ovos na rotina é seguro e pode até trazer benefícios. Pesquisas indicam que o consumo de um a dois ovos inteiros por dia não altera os níveis de colesterol LDL de forma significativa. Esse número é considerado um “limite saudável” para a maioria da população.
No entanto, cada caso deve ser analisado individualmente. Pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas ou colesterol elevado devem buscar orientação profissional antes de aumentar o consumo. Outro ponto essencial é olhar para o conjunto da dieta: não adianta comer ovos cozidos no café da manhã e exagerar nas frituras ao longo do dia.
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Em resumo, o ovo não precisa ser o vilão da sua mesa. O segredo está no equilíbrio, na variedade da alimentação e no cuidado com o modo de preparo. O problema real não está no ovo do café da manhã, mas no excesso de gordura ruim que se acumula em outros pratos do dia.
