Novo premiê Sébastien Lecornu promete ruptura em meio a protestos contra Macron
O novo primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, assumiu o cargo nesta quarta-feira (10) prometendo uma ruptura com seus antecessores. Aos 39 anos, ele se torna o quinto chefe de governo desde 2024, em um cenário de protestos massivos contra o presidente Emmanuel Macron e de instabilidade parlamentar.
Sua principal missão será apresentar o orçamento de 2026, tarefa considerada complexa diante da dívida pública de 114% do PIB, da falta de maioria na Assembleia Nacional e do descontentamento popular com as políticas de austeridade.
“Serão necessárias rupturas, e não só na forma, mas também no conteúdo”, afirmou Lecornu na cerimônia de transferência de poder com o ex-premiê François Bayrou, que caiu após não conseguir apoio parlamentar para seu plano econômico.

Protestos e prisões
A posse de Lecornu coincidiu com novos protestos que tomaram as ruas de Paris, Marselha e outras cidades francesas. Houve bloqueios de estradas, incêndio de lixeiras, paralisações em escolas e trens, além de confrontos com a polícia.
Mais de 200 pessoas foram detidas, segundo o Ministério do Interior. O ministro Bruno Retailleau alertou que as forças de segurança “não permitirão distúrbios ou bloqueios”.
Em Marselha, milhares marcharam contra o governo. “Estamos cansados de que os mais ricos se aproveitem. Queremos mais salário, trabalhamos o dobro ou até o triplo, mas não conseguimos sair dessa situação”, declarou a funcionária administrativa Stéphanie Sarai, de 41 anos.
Apesar da mobilização, sindicatos reconheceram que a adesão foi menor do que a esperada. “Achávamos que seríamos mais numerosos. Há mais revolucionários no Facebook do que na vida real”, ironizou o sindicalista Cédric Brun, em Valenciennes.
Pressão sobre Macron
Macron mergulhou a França em uma crise política desde que antecipou as eleições legislativas de 2024, resultando em uma Assembleia fragmentada em três blocos: esquerda, centro governista e extrema direita.
O episódio mais recente da turbulência foi a queda de Bayrou, após propor cortes de 44 bilhões de euros e a eliminação de dois feriados nacionais, medida que intensificou a indignação popular.
Reações e riscos
A nomeação de Lecornu, aliado próximo de Macron, foi mal recebida por parte da população e da oposição. “É um tapa que o presidente está nos dando”, disse o manifestante Florent em Lyon.
A esquerda exige aumento de impostos sobre grandes fortunas como condição para apoiar o governo. Já a extrema direita de Marine Le Pen ameaça derrubar o gabinete se não houver mudanças profundas na política econômica.
Além disso, partidos de esquerda anunciaram novas moções de censura contra Macron, ainda sem perspectivas de avançar. O mercado financeiro deve reagir às incertezas na sexta-feira.
