China leva disputa com EUA à OMC após tarifaço e anuncia retaliações econômicas
A China registrou uma queixa oficial na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos, após o governo americano anunciar uma nova rodada de tarifas sobre produtos chineses. O anúncio foi feito pelo Ministério do Comércio da China na noite desta sexta-feira (4), que classificou as medidas como uma “intimidação unilateral típica” e uma violação das normas da OMC.
A tensão comercial entre as duas potências aumentou nesta semana, quando os EUA impuseram uma tarifa adicional de 34% sobre importações chinesas, elevando a carga total de tarifas sobre alguns produtos para cerca de 70%, segundo estimativas de economistas. Em resposta, Pequim também aplicou uma tarifa de 34% sobre mercadorias norte-americanas.
Apesar da formalidade da queixa, o impacto prático tende a ser limitado, já que o mecanismo de resolução de disputas da OMC permanece inativo desde o governo de Donald Trump.

“O mercado falou”, diz governo chinês
Neste sábado (5), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, usou as redes sociais para criticar duramente os EUA, descrevendo o movimento tarifário como um “ataque não provocado e injustificado”. Em publicação no Facebook, Guo escreveu:
“Agora é a hora de os EUA pararem de fazer as coisas erradas e resolverem as diferenças com os parceiros comerciais por meio de consultas equitativas.”
A declaração veio após uma queda expressiva nos mercados de ações, o que Pequim interpretou como reflexo negativo das medidas protecionistas americanas. A publicação foi acompanhada por uma imagem ilustrando o recuo dos índices nos EUA.
Medidas retaliatórias e impacto global
Como parte da retaliação, a China anunciou um pacote de contramedidas, incluindo:
– Tarifa recíproca de 34% sobre produtos dos EUA
– Controles de exportação sobre sete categorias de produtos ligados a metais de terras raras
– Inclusão de 11 empresas americanas na chamada “lista de entidades não confiáveis”
Esses movimentos sinalizam que Pequim pretende usar recursos estratégicos, como os metais de terras raras, como instrumento de pressão. Substâncias como o disprósio, essenciais na produção de sistemas de defesa, submarinos e caças F-35, terão exportação controlada. Fabricantes precisarão de autorização prévia do governo chinês, o que poderá atrasar ou bloquear entregas — não só para os EUA, mas também para aliados como o Japão.
Um editorial do Global Times, veículo alinhado ao Partido Comunista Chinês, reforçou o tom de firmeza:
“Diante da pressão tarifária dos EUA, a China se tornou ainda mais confiante — tanto em sua estrutura econômica quanto em seu papel no cenário internacional.”
Escalada comercial
As medidas reacendem preocupações sobre uma nova escalada na guerra comercial entre os dois países, com potenciais reflexos na cadeia global de produção e no mercado financeiro. Especialistas alertam que o uso de metais estratégicos como moeda de troca poderá intensificar a disputa não só comercial, mas também geopolítica.
