Rio atmosférico avança pela América do Sul com chuvas de até 300 mm

Fenômeno deve atingir categoria 5 e provocar temporais, ventos fortes e nevadas na Cordilheira dos Andes entre quarta e domingo.
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Uma massa de ar carregada de umidade avança pelo Oceano Pacífico em direção à costa oeste da América do Sul. O fenômeno, conhecido como rio atmosférico, deve provocar um dos episódios de instabilidade mais severos dos últimos anos no Chile. A previsão indica chuvas volumosas, ventos fortes, tempestades e intensas nevadas na Cordilheira dos Andes ao longo desta semana. Os principais modelos meteorológicos apontam que o evento será impulsionado pelo primeiro grande sistema de tempo severo associado ao El Niño 2026-2027.
O corredor de umidade deve atingir as categorias 4 e 5 da escala utilizada para classificar rios atmosféricos, sendo esta a mais alta. Esses níveis indicam um transporte extremamente elevado de vapor d’água do Pacífico até o continente. O primeiro sistema frontal deve chegar ao território chileno entre quarta-feira (14) e quinta-feira (15). Novas frentes frias estão previstas para avançar sobre o país até o fim de semana. Portanto, diversas regiões podem registrar entre cinco e seis dias consecutivos de precipitação.
Áreas mais afetadas e acumulados expressivos
As regiões com maior potencial de impacto incluem Coquimbo, Valparaíso, a Região Metropolitana de Santiago, O’Higgins, Maule, Ñuble e Biobío. A instabilidade deve alcançar uma faixa ainda mais ampla, desde Atacama até o extremo sul do país. Em Santiago, a previsão oficial indica mais de 70 milímetros de chuva entre quinta e sexta-feira. Contudo, alguns modelos sugerem acumulados superiores a 100 mm e, em cenários mais extremos, até 150 mm durante todo o episódio.
Na região semiárida de Coquimbo, os volumes também chamam a atenção. As projeções apontam mais de 150 mm de chuva, com alguns cenários indicando acumulados entre 250 mm e 300 mm. Em Valparaíso, determinados modelos sugerem volumes acima de 300 mm em municípios costeiros, caso o corredor de umidade permaneça estacionado sobre a área por vários dias. Dessa forma, os acumulados podem superar significativamente as médias históricas para o mês de julho.

Ventos fortes, temporais e neve na Cordilheira
Além da chuva intensa, o sistema deve provocar rajadas de vento entre 70 km/h e 100 km/h nas áreas costeiras. Na Cordilheira dos Andes, os ventos podem ultrapassar os 100 km/h. As condições também favorecem a formação de temporais isolados, com chuva intensa em curto período, descargas elétricas e possibilidade de granizo. No extremo sul do Chile, a Direção Meteorológica emitiu alertas para nuvens convectivas tornádicas. Esse fenômeno pode provocar trombas-marinhas, nuvens funil e até tornados localizados.
A previsão também indica fortes nevadas na Cordilheira dos Andes. Os acumulados diários podem variar entre 50 e 90 centímetros de neve em trechos entre Valparaíso e Biobío. Volumes expressivos também são esperados na região de Coquimbo. As autoridades monitoram o risco de alagamentos, transbordamento de rios, deslizamentos de terra, interrupções no fornecimento de energia e bloqueios em passagens internacionais com a Argentina. O Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres já colocou diversas regiões em estado de alerta preventivo.
Alerta sobre o Rio Atmosférico e recomendações para a população
Por isso, a Direção Meteorológica do Chile já emitiu alertas para precipitações moderadas a fortes em todo o país. Assim, a população deve ficar atenta às atualizações dos boletins oficiais e seguir as orientações das autoridades locais. Dessa forma, recomenda-se evitar deslocamentos desnecessários durante os períodos de maior intensidade das chuvas. Além disso, moradores de áreas de risco devem buscar abrigo em locais seguros e manter contato com os serviços de emergência. Os estragos podem incluir danos a estruturas, interrupções no abastecimento de água potável e dificuldades nos sistemas de transporte.
Assim, a previsão indica que o fenômeno deve perder força a partir da próxima semana. Até lá, a atenção se concentra nos impactos acumulados e na capacidade de resposta dos sistemas de proteção civil.
