Irã alerta que mudança de rota no Estreito de Ormuz pode ampliar tensão com os EUA

O governo do Irã advertiu neste domingo (28) que qualquer embarcação que tente navegar por rotas diferentes das estabelecidas por Teerã no Estreito de Ormuz poderá aumentar ainda mais a tensão no Oriente Médio. O alerta ocorre em meio à escalada militar envolvendo os Estados Unidos e seus aliados na região.
A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante visita a Bagdá, no Iraque. Segundo ele, qualquer tentativa de alterar o modelo de administração do estreito poderá dificultar sua reabertura e comprometer os esforços diplomáticos.
“O Irã é o único responsável pela administração do Estreito de Ormuz”, afirmou o chanceler, ao pedir que outros países não interfiram na gestão da passagem marítima.
Conflito voltou a se intensificar
A tensão voltou a crescer após o Irã bombardear o Kuwait e o Bahrein, em resposta aos ataques realizados pelos Estados Unidos contra território iraniano.
Os dois países também trocam acusações de violar o memorando de entendimento firmado em 17 de junho, que previa a redução das hostilidades e medidas para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
O documento estabelece que o Irã assegure a passagem de embarcações pela região e prevê cooperação com Omã para discutir a futura administração da rota marítima.
No entanto, Teerã rejeita a proposta omanense de criar um novo corredor de navegação e insiste que apenas a rota próxima ao litoral iraniano deve ser utilizada.
Ataques ampliam crise na região
Desde a última quinta-feira, duas embarcações foram atingidas por projéteis no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos responsabilizam o Irã pelos ataques e responderam com bombardeios contra alvos militares iranianos.
Na madrugada de domingo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado mísseis e drones contra bases militares americanas localizadas no Kuwait e no Bahrein.
Horas depois, os Estados Unidos realizaram novos ataques contra posições militares iranianas.
O Ministério do Interior do Catar informou que um cidadão do país morreu após ser atingido por estilhaços provocados pelas operações militares na região.
Enquanto isso, o conflito também continua no Líbano, onde Israel realizou novos bombardeios no sul do país, apesar das negociações em andamento para um cessar-fogo duradouro.
