Gigante dos mares: navio quebra-gelo de 51 mil cavalos enfrenta ondas de 14 metros e desafia a Antártida
O RSV Nuyina é o principal navio utilizado pela Austrália para manter suas operações científicas e logísticas na Antártica e em ilhas subantárticas. Responsável por transportar pesquisadores, tripulantes, combustível, equipamentos e suprimentos, a embarcação desempenha papel essencial no funcionamento das bases australianas em uma das regiões mais remotas e desafiadoras do planeta.
Segundo o Australian Antarctic Program, o navio atua como elo entre a Austrália e as estações científicas do país, além de servir como plataforma de pesquisa no Oceano Antártico, permitindo a realização de estudos durante toda a viagem.
Com 160,3 metros de comprimento, 25,6 metros de largura e deslocamento de 25.500 toneladas, o RSV Nuyina foi projetado para transportar grandes cargas e navegar em regiões cobertas por gelo marinho.

Capacidade para romper gelo e enfrentar mares extremos
De acordo com a ficha técnica do Australian Antarctic Program, o quebra-gelo consegue avançar sobre camadas de gelo de até 1,65 metro de espessura a uma velocidade de três nós. A embarcação também possui autonomia de até 90 dias e alcance superior a 16 mil milhas náuticas.
Para operar em ambientes extremos, o navio conta com casco reforçado, sistemas de navegação polar e um conjunto de motores desenvolvido para manter o desempenho em missões de abastecimento.
O sistema de propulsão reúne dois motores a diesel com potência total de 19.200 kW, utilizados na quebra de gelo, além de dois motores elétricos com 7.400 kW, empregados em operações científicas que exigem menor emissão de ruídos.
A embarcação também foi construída para enfrentar ondas superiores a 14 metros e ventos equivalentes à força 12 da escala Beaufort, condição semelhante à de um furacão.

Navio abastece bases australianas
O RSV Nuyina é responsável pelo reabastecimento das estações australianas de Casey, Davis, Mawson e da estação subantártica localizada na Ilha Macquarie.
A bordo são transportados alimentos, equipamentos científicos, peças de reposição, contêineres, materiais de construção e combustível, fundamentais para manter as operações durante todo o ano.
Segundo o Australian Antarctic Program, o navio pode transportar 1,9 milhão de litros de combustível, 1.200 toneladas de carga e 96 contêineres (TEUs).
Como o acesso às bases é extremamente limitado, toda a logística é planejada com meses de antecedência para garantir o funcionamento das estações científicas.

Laboratório flutuante para pesquisas
Além da função logística, o RSV Nuyina também opera como um laboratório de pesquisa em alto-mar.
A embarcação possui laboratórios, equipamentos oceanográficos, instrumentos acústicos para mapeamento do fundo do mar e um moon pool, estrutura que permite lançar veículos autônomos e equipamentos científicos diretamente pela parte central do casco, mesmo em áreas cobertas por gelo.
Durante as viagens, pesquisadores realizam estudos sobre oceanografia, mudanças climáticas, atmosfera, gelo marinho e ecossistemas polares, transformando a travessia em uma importante etapa de coleta de dados científicos.

Papel estratégico para a presença australiana na Antártica
O nome Nuyina significa “luzes do sul” em palawa kani, idioma dos povos aborígenes da Tasmânia.
A embarcação substituiu o tradicional Aurora Australis e passou a ocupar posição central na estratégia da Austrália para manter sua presença científica e logística na Antártica.
Segundo o governo australiano, o projeto, construção, operação e manutenção do navio ao longo de 30 anos representam investimento de US$ 1,9 bilhão (dólares australianos). Apenas a construção da embarcação custou US$ 528 milhões (dólares australianos).
O RSV Nuyina possui capacidade para transportar 117 passageiros e 32 tripulantes, reunindo cientistas, técnicos, especialistas em logística e equipes responsáveis pela operação naval.
Na temporada 2025-2026, o Australian Antarctic Program incluiu o navio em missões de reabastecimento da estação Casey e em campanhas científicas nas ilhas Heard e McDonald.
Em um continente onde praticamente tudo precisa chegar por via marítima, o RSV Nuyina tornou-se peça fundamental para garantir o funcionamento das bases de pesquisa e a continuidade dos estudos científicos na Antártica.
