Reajuste dos planos de saúde da ANS vale para apenas 14,5% dos usuários no Brasil

O reajuste dos planos de saúde autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) trouxe alívio para milhões de brasileiros. A agência definiu um teto de 5,11% para os contratos individuais e familiares entre maio de 2026 e abril de 2027.
No entanto, a medida beneficia apenas uma parcela dos usuários. Segundo dados da própria ANS, o índice alcança cerca de 7,7 milhões de pessoas, o equivalente a 14,5% dos mais de 52 milhões de beneficiários da saúde suplementar no país.
Por outro lado, mais de 85% dos consumidores possuem contratos coletivos, empresariais ou por adesão. Nesses casos, as operadoras seguem regras próprias de reajuste e não precisam obedecer ao limite anual definido pela agência.
Maioria dos usuários não está protegida pelo teto da ANS
De acordo com o gerente de negócios do Grupo AllCross, Rogério Moreira, muitas pessoas acreditam que o percentual anunciado pela ANS vale para todos os planos de saúde.
Entretanto, a realidade é diferente. Segundo ele, a maior parte dos beneficiários está vinculada a contratos coletivos, modalidade predominante no mercado brasileiro.
“Quando a ANS divulga o reajuste, muitas pessoas acreditam que aquele percentual vale para todos os planos de saúde. Mas a realidade é diferente. A maior parte dos beneficiários está em contratos coletivos, que seguem critérios próprios de reajuste previstos contratualmente”, explica.
Além disso, o especialista ressalta que a legislação não concede à ANS competência para definir um teto de reajuste para os contratos coletivos.
“Muita gente só descobre que está em um contrato coletivo quando recebe o boleto reajustado”, afirma.
Reajuste não começa ao mesmo tempo para todos
Outro fator que costuma gerar dúvidas envolve a data de aplicação do novo índice.
Segundo as regras da ANS, as operadoras só podem aplicar o reajuste no mês de aniversário de cada contrato. Dessa forma, nem todos os consumidores sentirão o impacto imediatamente após o anúncio da agência.
Além disso, alguns contratos podem receber cobranças retroativas, conforme prevê a regulamentação do setor.
Por isso, especialistas recomendam que os beneficiários acompanhem atentamente os boletos e as informações contratuais.
Percentual é o menor dos últimos anos
O reajuste dos planos de saúde de 2026 também chama atenção por representar uma desaceleração em relação aos índices anteriores.
Nos últimos anos, os percentuais autorizados pela ANS foram:
2022: 15,5%
2023: 9,63%
2024: 6,91%
2025: 6,06%
2026: 5,11%
Segundo especialistas, a redução reflete uma acomodação dos custos assistenciais após os impactos registrados nos anos seguintes à pandemia.
Além disso, o setor observou uma estabilização na utilização de consultas, exames, internações e procedimentos médicos.
Reajuste vai além da inflação
Muitos consumidores costumam comparar o reajuste dos planos de saúde com a inflação oficial do país. Entretanto, a metodologia utilizada pela ANS considera outros fatores.
Entre eles estão a frequência de utilização dos serviços médicos, os custos hospitalares, os gastos assistenciais e as despesas das operadoras.
Por isso, os percentuais nem sempre acompanham diretamente os índices inflacionários divulgados pelo mercado.
Entender o contrato é fundamental
Segundo Rogério Moreira, um dos principais desafios dos consumidores ainda é compreender qual modalidade de plano possuem.
Além do reajuste anual, muitos contratos também registram aumentos relacionados à mudança de faixa etária. Consequentemente, as mensalidades podem subir de forma significativa ao longo dos anos.
“Antes de avaliar se o aumento foi alto ou baixo, o consumidor precisa entender qual modalidade possui. Essa é uma informação básica, mas que ainda gera muita confusão no mercado”, destaca.
Mercado passa por transformações
Atualmente, a saúde suplementar atende mais de 52 milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relacionados ao envelhecimento da população, ao aumento dos custos hospitalares e às mudanças no perfil dos usuários.
Diante desse cenário, especialistas defendem que o debate sobre reajustes vá além dos percentuais anunciados anualmente.
Afinal, compreender as regras de cada modalidade de contratação tornou-se essencial para que o consumidor saiba exatamente quais direitos possui e como os reajustes podem impactar seu orçamento.
