Irã executa homem condenado por espionagem para EUA e Israel

As autoridades judiciais do Irã executaram, neste domingo (24), Mojtaba Kian, filho do escritor Mohammad Gholi. Ele havia sido condenado por espionagem, traição e colaboração com serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel durante o conflito.
A sentença foi proferida inicialmente pelo Tribunal Provincial de Alborz. Depois, a decisão foi ratificada pela Suprema Corte do Irã, após a rejeição dos recursos apresentados pela defesa.
Além da pena máxima, a Justiça iraniana também determinou a confiscação total dos bens do condenado.
Processo foi concluído em menos de 50 dias
Segundo as autoridades iranianas, o processo foi conduzido com base nas diretrizes do Poder Judiciário para casos de traição. Da prisão até a execução, o caso foi concluído em menos de 50 dias.
De acordo com informações divulgadas pela agência iraniana Mizan, as investigações apontaram que Kian teria enviado dados estratégicos a redes ligadas a Washington e Tel Aviv.
As autoridades afirmam que ele repassou coordenadas geográficas de instalações industriais ligadas à defesa nacional.
Mensagens teriam citado Netanyahu
O Ministério Público informou que, em uma das comunicações interceptadas, Kian teria citado o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao pedir que contatos informassem o assunto a “Bibi”, apelido usado para o líder israelense.
Ainda segundo o processo, o acusado admitiu em juízo ter mantido contato com uma plataforma de mídia estrangeira e recebido um canal privado para transmissão de dados considerados confidenciais.
As análises periciais apontaram que uma das instalações mencionadas nas mensagens foi destruída em um ataque poucos dias após o envio das informações.
Tribunal citou segurança nacional
O tribunal justificou a decisão com base na legislação iraniana sobre espionagem e cooperação com governos considerados hostis.
Segundo a Justiça do Irã, a condenação teve como fundamento o impacto direto das informações repassadas sobre a segurança nacional e os interesses estratégicos do país.
O caso ocorre em meio ao aumento da tensão entre Irã, Estados Unidos e Israel.
