Piloto do Globocop morre após assalto em São Paulo; relembre trajetória de Dato de Oliveira
O piloto Odailton de Oliveira Silva, conhecido como comandante Dato de Oliveira, morreu aos 77 anos após ser atingido por um disparo durante um assalto em São Paulo. O crime aconteceu na terça-feira (19), na Zona Oeste da capital paulista.
Dato construiu uma carreira de destaque na aviação brasileira. Ele somava cerca de 49 anos de atuação como piloto, com experiência em aviões e helicópteros.
O comandante ficou conhecido por pilotar o Globocop, helicóptero da TV Globo usado em coberturas jornalísticas na capital paulista. Ao longo da trajetória, também participou de operações aéreas, reportagens e resgates.

Piloto teve quase cinco décadas de carreira
Além do trabalho no jornalismo aéreo, Dato compartilhava sua experiência em palestras e livros. Em 2011, lançou a autobiografia “Voar é a Segunda Melhor Coisa do Mundo”, na qual reuniu histórias acumuladas ao longo da carreira.
Entre os episódios marcantes, está a atuação no resgate de vítimas após a queda de um helicóptero da TV Record no Jockey Club de São Paulo, em 2010.
Anos antes, em 2002, o piloto também viveu uma situação extrema ao ser rendido por criminosos e obrigado a pilotar um helicóptero durante uma ação para resgatar presos de uma unidade em Guarulhos.
Dato também ficou conhecido por um voo inusitado em 2010, quando passou com um helicóptero por dentro de um túnel da Rodovia Imigrantes, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Dato também atuou no cinema e na TV
Paralelamente à aviação, Dato de Oliveira teve experiências como ator. No filme “VIPs”, lançado em 2011, interpretou o personagem Chicão, ligado ao círculo do protagonista vivido por Wagner Moura.
Na televisão, participou da primeira temporada da série “Pico da Neblina”, da HBO. Na produção, interpretou Valdomiro, motorista do personagem Evair.
A presença em produções audiovisuais ampliou a visibilidade do piloto, que já era respeitado no meio da aviação.

Crime é investigado como latrocínio
Segundo as informações do caso, Dato dirigia pela Avenida do Rio Pequeno, no Butantã, quando foi abordado por um criminoso em uma motocicleta.
Após o disparo, o piloto perdeu o controle do veículo e bateu em um ônibus. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Universitário, mas não resistiu.
A Polícia Civil investiga o caso como latrocínio, que é roubo seguido de morte. Até a última atualização, o suspeito ainda não havia sido identificado.
A morte de Dato de Oliveira gerou repercussão entre profissionais da aviação. Representantes do setor lamentaram a perda e destacaram o legado do comandante, marcado por profissionalismo, experiência e dedicação ao voo.

Desejo de Dato
Num dos trechos do livro que Dato de Oliveira escreveu tem uma passagem sobre o que ele gostaria que ocorresse após sua morte.
“Um dia não estarei mais por aqui. Depois da partida, serei somente uma foto numa moldura e lembranças. Isso se a foto não for parar no fundo de uma gaveta e as lembranças não se desvanecerem. Mas espero ser visto pela foto e lembrado pelos momentos.
Óbvio que desejo que esse dia demore bastante a chegar, pois quero viver e voar muito ainda. E quando esse dia chegar, que meus órgãos sejam doados. E nada de velório, pois não quero que se recordem de mim num caixão.
“Quero ser cremado. Que algum Comandante amigo decole, levando alguma pessoa amiga a bordo, com a urna contendo minhas cinzas, e que elas sejam atiradas ao mar, mais precisamente na Praia do Itara-ré, em São Vicente, onde fui criado e surfei por muitos anos. Que seja um voo a baixa altura, com deslocamento bem lento. É isso.”
A despedida de Dato ocorrerá na quinta-feira (21) a partir das 9h no Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos, litoral paulista. Conforme seu desejo, seu corpo será cremado às 14h.
